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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Filme do Dia: No Distance Left to Run (2010), Will Lovelace & Dylan Southern


No Distance Left to Run Poster
No Distance Left to Run (Reino Unido, 2010). Direção: Will Lovelace & Dylan Southern. Fotografia: Ross McLennan & Dylan Southern. Montagem: Dylan Southern.
Documentário que acompanha uma turnê que reúne novamente os quatro integrantes originais da banda pop britânica Blur. Seu tom cool, prenunciado nos créditos iniciais, soa tão fake, ao final de contas, quanto as intermináveis entrevistas em que membros da banda, individualmente, fazem suas anamneses pessoais sobre os motivos que levaram o distanciamento dos integrantes, o uso de drogas, a concorrência com o Oasis, polarizada ao máximo pela imprensa na contraposição entre os garotos da classe operária de Manchester do Oasis, contra os “riquinhos” de Londres. Mas, e sobretudo, pelos sentimentos internos de uns para com os outros, numa cansativa e inevitavelmente narcísica jornada. Não que se possa pôr em suspeição a “honestidade” dos depoimentos, mas por se apresentarem sob uma estrutura já tão desgastada que o efeito não poderia ser mais diverso da intenção inicial. De música mesmo, muito pouco é ouvido, e sempre somente trechos de gravações ou apresentações, o que não é exatamente uma surpresa quando se sabe que esse documentário é acompanhado do show no Hyde Park que compõe uma das primeiras e mais aclamadas apresentações da turnê de retorno ou despedida da banda. O documentário faz um razoável uso de imagens de arquivo, sejam de registros amadores ou mesmo familiares do grupo, assim como de programas de televisão, procurando compor uma teia que leva ao clímax final, em que um final feliz aponta para uma reunião do grupo, tendo todos vencidos as mágoas e ressentimentos pessoais, como se seu retorno se desse pelo desejo íntimo de seus integrantes, mais do que qualquer motivação comercial, ao contrário da maior parte dos grupos pop que acabam se reunindo novamente. É justamente esta ênfase demasiado centrada nos sentimentos internos dos participantes do grupo, em praticamente completo alheamento de toda a estrutura empresarial que os rodeia, citada apenas como fonte do desejo de um de seus participantes, de abandonar tudo por um tempo, assim como da cena musical que o engloba, que o torna demasiado auto-centrado para se tornar instigante. Talvez se tivesse conseguido manter um saudável distanciamento de registro de bastidores, a exemplo de Let it Be (1970), de Michael Lindsay-Hogg, o filme tivesse se mantido menos próximo de seu evidente viés auto-promocional. Porém, o filme se sustentaria diante de personalidades longe de tão interessantes ou intensas quanto os Beatles? Provavelmente não, e o apelo acaba sendo esse que satura os programas de pseudo-intimidade confessionais, com comentários diretamente para a câmera, num fastidioso “pensar sobre a relação”. Talvez não pudesse ser efetivamente diferente, pois outra  opção possível, a do registro in loco de novas composições tampouco parece  ser a tônica da nova reunião do grupo que, a exemplo de todas as outras bandas que voltam a se unir, centra fogo no repertório de seus anos de apogeu. O zênite do reencontro entra em contradição com o pessimismo antecipado por seu próprio título, mas fica difícil de acreditar que se trata efetivamente da despedida da banda, quando se observa a quantidade impressionante de público que lota Glastonbury para asssisti-los. Trechos de boa parte dos hits do grupo como Park Life, Song 2, She’s so HighBoys and Girls, Country House, End of a Century e TenderPulse Films para Arte Alliance Media. 104 minutos.


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