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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Filme do Dia: Para Sempre Lilya (2002), Lukas Moodyson

Para Sempre Lilya (Lilja 4-Ever, Suécia/Dinamarca, 2002). Direção e Rot. Original: Lukas Moodysson. Fotografia: Ulf Brantas. Música: Nathan Larson. Montagem: Michal Leszczylowski, Oleg Morgunov & Bernard Winkler. Dir. de arte: Josefin Asberg. Figurinos: Denise Östholm. Com: Oskana Akinshina, Artyom Bogucharsky, Lyubov Agapova, Liliya Shinkaryova, Elina Benenson, Pavel Ponamaryov, Tomasz Neuman, Anastasyia Bedredinova.
Lilja (Akinshina) é uma jovem russa de 16 anos abandonada pela mãe (Agapova), que parte para os EUA com o amante. Desesperada e sem apoio financeiro ou emotivo de mais ninguém, ela passa a dividir o apartamento com o ainda mais jovem Volodja (Bogucharsky), que se torna uma figura de irmão mais jovem. Prostituindo-se para conseguir algum dinheiro, Lilja conhece o jovem Andrei (Ponomaryov), que se diz apaixonado e a convida para viajar com ele para a Suécia. Mesmo triste por deixar Volodja, que se suicida, Lilja parte e vê-se presa de uma quadrilha internacional de agenciamento de prostitutas. Descrente de qualquer valor moral pula de uma ponte.
Previsível drama que descreve com subliminar ironia a tão propalada globalização (seria por acaso que Lilja passa boa parte do filme consumindo Macdonald´s?), através de um pessimista retrato das ilusões perdidas que a levam, em última instância, ao suicídio final. Narrado de forma circular, iniciando e retornando ao momento em que Lilja decide saltar da ponte, o filme igualmente abusa das estratégias visuais dos cineastas conterrâneos do Dogma-95. Nesse sentido, a presença freqüente de zooms com câmara tremida de influência jornalística à guisa de maior urgência realística. Ao mesmo tempo se apela para uma dimensão de fantasia, representada pelas inserções não menos excessivas da figura de Volodja como anjo da guarda da protagonista, como calculado toque de poesia que vem amenizar um pouco seu tom sombrio e configurar uma pseudo-catarse final, com a dupla jogando basquete no telhado do edifício, após a habitual inserção de cenas da vida de Lilja com propósito de evidente manipulação emocional. Ao mesmo tempo que vai pouco além do voyeurismo de uma realidade social bem conhecida, dando configuração dramática ao que no jornalismo fica restrito ao caráter informativo, ainda assim consegue ir além do melodrama auto-centrado nas intrigas familiares do tedioso conterrâneo e contemporâneo Corações Livres (2003), de Susanne Bier. Memfis Film Rights AB/Det Dansk Filminstitut/Film i Väst/Nordisk Film & TV-Fond/SFI/SVT/Zentropa Ent. 109 minutos.


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