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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Filme do Dia: The Land Beyond the Sunset (1912), Harold M. Shaw

The Land Beyond the Sunset (EUA, 1912). Direção: Harold M. Shaw. Rot. Original: Dorothy G. Shore. Com: Martin Fuller, Mrs. William Bechtel, Walter Edwin, Ethel Jewett, Elizabeth Millner, Gladys Du Pell, Margery Bonney Erskine, Bigelow Cooper.
O garoto jornaleiro Joe (Fuller) que vive em um quarto de cortiço sendo explorado por uma cruel avó (Bechtel) descobre e se encanta com um novo mundo a partir de um piquenique organizado por uma associação caritativa, na qual escuta a história de um garoto que era maltratado por uma bruxa, mas que se acabou libertando pela intervenção de fadas e se dirigindo para a terra  além do crepúsculo. Joe se afasta do grupo e encontra uma canoa à beira da praia, na qual busca a sua terra para além do crepúsculo.
Soberbamente fotografado e com notável uso da profundidade não só de campo como de foco esse filme de Shaw, que não teve seu nome creditado ao contrário da roteirista, foi produzido com intuito institucional de divulgar o trabalho de uma organização que realizava atividades semelhantes às descritas em sua narrativa. De todo modo, consegue esteticamente transcender as limitações de seu objetivo. Partindo do motivo de uma narrativa como força motora de uma transformação na vida de uma pessoa, do mesmo modo que Griffith o fizera com seu A Regeneração de um Ébrio (1909), Shaw, no entanto, consegue contornar o que há de inverossímil na ainda mais esquemática transformação do personagem de Griffith ao deslocar a chave dramática do restrito realismo para um tom mais poético. Seu belo plano final, do garoto solitário em meio a imensidão do mar e com o sol a se por no horizonte além de menos literal tampouco chega a ser tão conclusivo se tal transformação realmente se sucederá, apesar de assim ter sido afirmado pelos entretítulos, demonstrando mais um desejo e risco da opção escolhida. Também deve se observar que, ao contrário de A Regeneração de um Ébrio, a influência do narrado aqui atingiu menos o vilão que a vítima, que é descrita com toda a passividade e inocência habitualmente requerida pelo cânone melodramático para acentuar o processo de identificação com a mesma. Destaque para o plano que abre o filme, no qual o garoto sozinho representa sua ação mal sucedida de tentar vender jornais no estúdio com fundo neutro, bastante típico na época, apresentando o protagonista antes de inseri-lo no seu ambiente onde será desenvolvida a trama, o que se dá logo a seguir. E para a representação da história narrada, a partir da perspectiva de Joe, com ele evidentemente encarnando o pobre rapaz maltratado que se transforma em príncipe do conto, algo raro no cinema de então e que se tornará  recorrente na história do cinema.  Assim como a bem mais sutil alusão ao pensamento de Joe na sua própria situação de penúria com a avó quando escuta a história, surgida aqui numa breve sobreposição ao contrário do que era habitual então. Como em Griffith, torna-se notável o uso de espelhamentos das narrativas dentro de narrativas, sendo que evidentemente as fadas do conto são uma tradução das senhoras do movimento caritativo, assim como da própria mensagem moral do filme. Na trilha sonora dessa cópia foi adicionado uma bela canção lírica que se ajusta perfeitamente as imagens. National Film Registry em 1993. Edison Co. para General Film Co. 14 minutos.


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