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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Filme do Dia: Benjamin (2003), Monique Gardenberg

Benjamin (Brasil, 2003). Direçao: Monique Gardenberg. Rot. Adaptado: Jorge Furtado, Monique Gardenberg & Glênio Póvoas, baseado no romance de Chico Buarque. Fotografia: Marcelo Durst. Música: Arnaldo Antunes & Chico Neves. Montagem: João Paulo Carvalho. Dir. de arte: Marcos Flaksman. Figurinos: Marcelo Pies. Com: Paulo José, Danton Mello, Cléo Pires, Guilherme Leme, Nélson Xavier, Rodolfo Bettino, Ernesto Piccolo, Miguel Lunardi, Mauro Mendonça.
O idoso Benjamin (José), modelo publicitário, ao encontrar uma bela garota chamada Ariana (Pires), relembra Castana (Pires), o grande amor de sua juventude. O encontro dessa jovem, abala profundamente Benjamin, já que foi sua paixão por Castana que a levou a ser assassinada, juntamente com seu companheiro, quando Benjamin a seguiu para seu esconderijo, sob vigilância da Polícia. Benjamin descobre que a jovem Ariana é, na verdade, filha de sua ex-amante e procura levá-la a morar com ele. Porém, Ariana, mulher de um policial (Leme), vítima de uma tiro e sem mais possuir vida sexual ativa, atrai traiçoeiramente todos os interessados nela para a morte, comandada pelo seu próprio patrão (Xavier), companheiro policial de seu marido. Um deles é o próprio Benjamin.
O segundo longa de Gardenberg, seguindo uma dupla linha narrativa que entremeia passado (filmado em belos tons cromáticos próximos de uma certa aura de fantasia) e presente (em tons mais naturalistas)  consegue construir um mínimo interesse por sua ação da metade para o final, embora seja irremediavelmente comprometido tanto pela vulgar aproximação do tema, quanto por algumas interpretações canhestras, sendo involuntariamente cômico em momentos dramáticos. Boa parte de sua fraqueza advém do fato do filme realçar, de modo patético tanto a estupidez do personagem em sua juventude (numa péssima interpretação do ator em questão) quanto sua patetice atual, numa recorrência a clichês por demais desgastados, como o do homem que revisita amargurado seus dias de glória, como na infame cena em que Benjamin vasculha os velhos recortes na sua gaveta. Nesse sentido, a construção do personagem de Benjamin como excessivamente fraco – o veterano Paulo José acaba ficando quase tão patético quanto o Marco Nanini de Copacabana - poda qualquer tipo de identificação com o personagem, vital para o propósito do filme. Não chegando a desenvolver uma certa organicidade dramatúrgica, o filme derrapa ao contrapor momentos de Wando com a Quinta Sinfonia de Mahler (numa referência solene a Morte em Veneza),  o que se torna bastante ilustrativo de sua falta de rumo em termos mais amplos. Estorvo, o primeiro livro de Buarque, conseguiu melhor resultado na sua adaptação por Ruy Guerra para o cinema. Dueto Filmes/Estúdios Mega/Natasha Produções. 109 minutos.

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