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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Filme do Dia: Nascidos em Bordéis (2004), Zana Briski & Ross Kauffman

Nascidos em Bordéis (Born into Brothels: Calcutta’s Red Light Kids, Índia/EUA, 2004). Direção e Rot. Original: Zana Briski & Ross Kauffman. Fotografia: Zana Briski. Música: John McDowell. Montagem: Nancy Baker & Ross Kauffman.
Documentário que se detém sobre a realidade sofrida de crianças filhas de mães prostitutas no discriminado distrito da Luz Vermelha em Calcutá. O propósito de suas realizadoras é o de retirar essas crianças do ambiente familiar problemático em que nasceram e vivem. Tal propósito é ainda mais acentuado depois que ela consegue descobrir o talento das crianças, despertadas pelo curso de fotografia ministrado por Kauffman. A uma delas, de talento incomum, é prometida um curso em Amsterdã. Para um grupo de outras crianças, a possibilidade de estudarem numa instituição de padrões disciplinares rígidos em que somente poderão encontrar suas famílias uma vez por mês. Longe de ser estilisticamente estimulante, o documentário se apropria da leveza do material digital de filmagem para transmitir uma maior proximidade com a realidade retratada em contraste com alguns dos flagrantes que fogem dos aspectos mais brutais da realidade vivida pelas crianças, como é o caso da criança mais talentosa, que consegue flagrar beleza e ângulos inusitados da mesma. Seu destaque (ganhou um Oscar na categoria) certamente se deve mais a um certo olhar humanitário fácil de comover do que a inevitável complexidade que envolve ações deste tipo relacionadas a crianças e famílias do Terceiro Mundo em "situação de risco", público receptor no Primeiro Mundo, marketing social, etc. Há toda uma tentativa, sobretudo do meio para o final, de auto-reflexão sobre o projeto e os habituais comentários finais, típicos dos filmes de ficção, sobre o destino das crianças após certo tempo não obscurece o fato de que a maioria não seguiu adiante com o projeto. No entanto, é impossível se esquecer um segundo sequer que se trata de uma produção que ao mesmo tempo documenta e promove o objeto tematizado, o que tolhe bastante, ainda que inconscientemente, qualquer percepção crítica mais sofisticada diante da situação. Red Light Films. 85 minutos. 

3 comentários:

  1. Bom dia meu querido!
    Vim agradecer o Mimo das palavras e me contaminar um pouco com esta Magia.
    Beijo grande.

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  2. Bom dia, Beth querida. Então, não ando com mais freqüência em seu blog, porque acho um pouco confuso aquela disposição do Feed Turbo. As vezes prefiro entrar via google mesmo, que é mais prático até. Talvez seja uma das poucas coisas que sinto falta daquele troço dos reaças que já até esqueci o nome...o agregador de blogs e tal do qual tb fazia parte. Beijo grande e valeu pela visita.

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