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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Filme do Dia: O Grande Ditador (1940), Charles Chaplin

O Grande Ditador (EUA, 1940). Direção e Rot.Original: Charles Chaplin. Fotografia: Karl Struss & Roland Totheroh. Música: Meredith Wilson & Charles Chaplin. Montagem: Willard Nico. Dir. de arte: J. Russell Spencer. Cenografia: Edward G. Boyle. Figurinos: Ted Tetrick. Com: Charles Chaplin, Paulette Godard, Jack Oakie, Reginald Gardiner, Henry Daniel, Billy Gilbert, Grace Hayle, Maurice Moscovitch.
Um barbeiro judeu na Tomânia (Chaplin), amnésico desde a queda de um avião em combate na I Guerra Mundial entra em conflito com soldados judeus, sendo salvo no último minuto pelo oficial tomanês (Gardiner)que ajudou a salvar a vida e despertando a simpatia de outra moradora do gueto, Hannah (Godard). Enquanto isso, o ditador da Tomânia Adenoid Hynkel (Chaplin) promete uma trégua aos judeus se conseguir obter financiamento de um grande banqueiro judeu. Como não consegue, a repressão continua. Hynkel é preso, confundido com o barbeiro, enquanto o barbeiro é recebido com honras e participa da invasão do país em que havia se refugiado a comunidade judaica, incluindo sua amada.
Última grande obra de Chaplin (mesmo que Monsieur Verdoux demonstre ainda o vigor de seu talento), audaciosa em sua explicita e então precoce sátira de contrapropaganda aos regimes nazi-fascistas europeus (foi proibido no Brasil, Espanha e todos os países ocupados pela Alemanha), no momento em que os próprios Estados Unidos ainda se encontravam em situação de neutralidade na Segunda Guerra. Precocidade ainda  mais acentuada quando se sabe que o projeto se iniciou 3 anos antes. Repleto de momentos saborosos, sendo o maior deles talvez a chegada à Tomânia do ditador italiano que é uma sátira de Mussolini, Napaloni e com seqüências que se tornaram célebres nas antologias do cinema como a que Hynkel se diverte puerilmente com o globo terrestre, foi a primeira produção em que Chaplin finalmente resolveu fazer uso de diálogos. Sua sátira ao regime nazista antecipa de muito tentativas posteriores e nem de longe tão bem sucedidas de se fazer humor a partir de temas semelhantes, como A Vida é Bela e O Trem da Vida, na década de 90. Chaplin foi engenhoso até na sua hilária referência a uma célebre seqüência de O Triunfo da Vontade (1936), de Leni Riefensthal, em que o ditador se move em carro aberto em meio à multidão após beijar uma criança. Aqui todas as estátuas se posicionam na típica saudação fascista. Mesmo incluindo seu longo apanágio final às virtudes democráticas, seu tributo a um sentimentalismo sempre presente nos finais chaplinianos, associado aqui à dimensão ideológica, o filme soa bem menos esquemático que as produções de propaganda realizadas posteriormente.  National Film Registry em 1997. Charles Chaplin Productions para United Artists. 124 minutos.

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