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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Filme do Dia: A Movie Star (1916), Fred Hibbard

A Movie Star (EUA, 1916). Direção: Fred Hibbard. Com: Mack Swain, Louella Maxam, Mai Wells, Phyllis Allen, May Emory, Julia Faye, Harry McCoy, Nick Cogley, Frank Hayes.
O ídolo das matinês Handsome Jack (Swain) faz questão de ser reconhecido na entrado do cinema que exibe um filme ao qual protagoniza. Enquanto luta pelo amor da heroína, Nell (Maxam), também desperta a emoção de mulheres na plateia (Emory, Faye) e os ciúmes de seus respectivos maridos. Ao final da sessão, quando os maridos são postos de lado pela tietagem junto a Handsome Jack, sua mulher (Allen) surge na esquina e espanta todos os seus fãs, espancando-o e a quem mais se encontrar por perto.
Ao contrário das produções triviais do estúdio, esse curta apresenta uma rica representação de motivos aparentemente associada ao momento imediatamente anterior da produção cinematográfica, mas igualmente válido para as produções contemporâneas – se a referência ao empresário de um Nickelodeon parece sugerir o momento anterior, o filme dentro do filme, descrito com uma relativa minúcia de detalhes habitualmente pouco comum na história do cinema, e particularmente no período, aproxima-se das produções rotineiras do estúdio que tomavam o western como base (a exemplo de His Bitter Pill, do mesmo ano, dirigido pelo mesmo Hibbard e igualmente com a dupla principal). Ainda que His Bitter Pill tenha sido lançado alguns meses após, o fato do personagem aqui, tal como naquele, jogar-se de bruços e espernear revoltado quando observa que a garota que ama se interessa por outro e ser consolado por sua mãe, sugere ser uma recorrência na persona cinematográfica de Swain. E as referências satíricas ao universo do cinema abrangem desde o próprio protagonista, batizado como Handsome, embora seja visivelmente o oposto do padrão de beleza masculina de então nas telas até a presença de um aloprado músico que participa ativamente da projeção com seu piano, das interrupções na projeção para destacar a presença do astro na sala, do esnobismo afetado de um homem de teatro que acredita poder entrar no espetáculo por fazer parte de uma companhia shakespeariana, num momento em que o cinema ainda era visto com olhar atravessado por boa parte da classe média de referências artísticas mais tradicionais, e que é o único praticamente – além dos maridos enciumados – a não se render ao astro. Esse, por sinal, é um poço de vaidade, puxando em inúmeros momentos uma claque para que aplauda a si próprio, e se emocionando mais que qualquer um com sua própria performance na tela. Não escapam aos detalhes do filme o fato da sala de cinema ser plana e a dificuldade de quem se encontra atrás, que tem que mover o pescoço para observar a cena – algo que ocorre, por exemplo, com o homem que se encontra por trás do mais alto Handsome  Jack. Por fim, até o logotipo da própria Keystone é satirizado nas cartelas do filme que se assiste. A qualidade da imagem projetada na tela, nos momentos em que assistimos os espectadores assistirem ao filme, supõe ser uma projeção da fato, atualizando também em termos de técnica o que um filme cômico do início do século – Uncle Josh at Moving Pictures Show  - já fazia referência. Não deixa de ser curioso, que os créditos destaquem sobretudo os atores do filme dentro do filme em relação aos que se encontram na exibição do filme, muitos deles sequer creditados. As olhadas para a câmera a guisa de comentário, ainda que mais discretas que as habituais no Primeiro Cinema persistem.  Keystone para Triangle. 23 minutos e 48 segundos.


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