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terça-feira, 4 de março de 2014

Number 1, Lavender Mist (1950), Jackson Pollock





Em 1947 Jackson Pollock introduziu um método radicalmente inovador de pintura no qual derramava tinta diretamente em telas não emolduradas firmadas no chão. Com varetas e escovas endurecidas, Pollock rodeava ao redor das telas arremessando, gotejando e salpicando porções de tinta sobre sua superfície, camada sobre camada, até uma densa teia de cores ser formada. Ainda que seu processo tenha sido filmado em 1950 pelo fotógrafo Hans Namuth, ser espontâneo e intuitivo, Pollock exercia um controle notável sobre ele e insistia: "não há nada casual".

Number 1 (Lavander Mist), uma das mais importantes pinturas "gotejadas" de Pollock, testemunha a pura virtuosidade do artista no manuseio da pintura. Pode-se traçar seus movimentos rítmicos em longos arcos, dribles em staccato ou piscinas coaguladas de cores que resultam num rico e cintilante entrelaçado. Com não mais que uns poucos matizes um sofisticado efeito tonal, não pelo uso efetivo de lavanda mas pela cor alumínio e salmão da pintura. A tessitura de longas pinceladas em branco e preto implicam numa estrutura linear inerente, mas a composição como um todo exibe igualmente uma densidade do início ao final, com ausência de pontos focais. Pollock, que falava de "se encontrar" em suas pinturas, deixa traços verdadeiramente literais de sua presença, nas múltiplas impressões de suas mãos nas margens superiores de seus quadros.
Texto: National Gallery of Art. Nova York: Thames & Hudson, 2005. pp. 266.

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