Filme do Dia: Haut les Couers (2021), Adrian Moyse Dullin
Haut les Couers (França, 2021). Direção e Rot.
Original Adrian Moyse Dullin. Fotografia Augustin Barbaroux. Montagem Pierre
Deschamps. Com Yasser Osmani, Aya Halal, Rama Ndongo, Sanya Salhi, Radwan
Saiffedine, Rayane Béliouz, Ladji Boune, Benoît Brossin.
Mahdi
(Osmani), garoto de 13 anos, tem sua paixão por uma garota da escola, Jada
(Salhi), descoberta em seu celular, por sua irmã mais velha, Kenza (Halal).
Todo um alvoroço começa a se passar com o garoto, testemunhado por ela e sua
amiga Aïssatou (Ndongo), que não é cruel como a irmã, acostumada com uma
dinâmica em que ele tampouco deixa de espezinhá-la quando pode. Ambas dão
conselhos simultaneamente ao garoto. E um deles é segui-la quando desce do
ônibus. Fingindo passar mal, Aïssatou faz com que o ônibus pare, e todos que se
encontram no veículo testemunham a aproximação de Mahdi de Jada, inclusive
filmando-a em seus celulares e a compartilhando em suas redes sociais.
Tal
como em filmes longos (a exemplo de A Esquiva) e aqui ainda mais, pois
dado o recorte e a metragem não se inclui sequer a comunidade oriunda de
gerações coloniais pregressas na França, como vítima das forças do Estado, como
naquele, há vários pontos em comum. Primeiro, e sem fazer uso de hierarquia
nessa enumeração, o desejo de se contar histórias de personagens desta
comunidade sem necessariamente atrelá-los a “temas”. Segundo, o uso de atores
jovens (aqui ainda mais que no filme de Kechiche), como mecanismo de mediar
resistências para um público francês menos receptivo. Terceiro, a apropriação
de valores europeus também poderia caminhar neste sentido – no caso de A Esquiva, o ensaio de um clássico do teatro francês, aqui uma trilha musical
bastante importante no respiro do filme, que faz uso central de uma das quatro
estações de Vivaldi). Quarto, e associado a juventude de seus personagens, as
intrigas amorosas – aqui talvez prejudicadas apenas pela inclusão de uma
potencial subtrama que o filme apenas aponta de supetão, o do aparente
interesse não correspondido de Aïssatou por Kenza. O maior mérito fica na conta
de querermos ver o desenlace da situação proposta pelo filme, acontecendo em um
espaço-tempo bastante demarcado. Título em português de festival: Cabeça
Erguida.| Punchiline Cinéma. 15 minutos.
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