Filme do Dia: Eu e Meu Avô Nihonjin (2025), Celia Catunda
Eu e Meu Avô Nihonjin (Brasil, 2025). Direção e Dir. de arte Celia Catunda. Rot. Adaptado Rita Catunda, a partir do romance de Oscar Nakasato. Música André Abujamra & Márcio Nigro.
São Paulo, anos 80. Noburo é um garoto de dez anos que, instigado por um trabalho de escola, decide investigar junto ao seu avô, Hideo, nascido no Japão, a história do passado da família. Demasiado sério, o avô reluta ao início de falar sobre o passado. Porém, logo passa a lembrar do momento em que emigrou ao Brasil, em um navio, nos anos 20. A vida no Brasil é árdua, trabalhando pesado em uma fazenda de café e sendo explorado. Ele se une com outros trabalhadores para arrendar uma fazenda. Casa-se e possui três filhos. Um deles, ao qual não gosta de tocar o nome, Haru. Na Segunda Guerra Mundial, os japoneses não podiam falar sua língua em público, nem ensinar. Noburo fica sabendo, por um comerciante da Liberdade, que seu avô foi preso, por ensinar um grupo de crianças. E Haru, instado a fugir, pois havia escrito um artigo jornalístico afirmando o que de fato houve a derrota do Japão na guerra, e nunca mais visto desde então.
Catunda, mesmo sob o
risco de não ter público imediato relativo ao lançamento, fica entre o infantil
e o adulto, pois trata de vários temas sérios, mas com presença forte – ainda
que, em última instância, dramaticamente coadjuvante – de crianças, não apenas
no núcleo dos anos 80, mas também no flashback. A movimentação dos
personagens e da animação em geral pode não ser a mais dinâmica, e nos traços e tratamento visual como um todo também se encontra um diálogo com o infantil, assim como em muitas transições,
porém sem nunca arredar o pé da realidade, e sem se esquivar de apresentar conflitos
familiares, seja no núcleo envolvendo Noburo, ou – e sobretudo – no passado.
Mesmo não existindo licenças ao universo da fantasia que intoxicam boa parte da
produção nipônica equivalente, seu desfecho não deixa de ser uma concessão ao
final feliz, sem tampouco esclarecer o que de fato houve para que Hideo
encontre o filho há tantas décadas sumido – nivelando o que no livro de
Nakasato possui mais arestas, opção no entanto compreesível, em certa medida,ao se
tratar não apenas de um filme, mas direcionado amplamente ao universo infanto-juvenil. Este ganhou o Prêmio Jabuti de melhor romance em 2012. |PinGuim
Content para H20 Films. 84 minutos. ![]()

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