Filme do Dia: Belgrado (1922), ?



 Belgrado (França, 1922)

Inicia com um mapa apresentando  a divisão do Reino Extendido da Sérvia, a partir do final da Primeira Guerra. Logo, segue-se imagens do porto da cidade que leva título ao curta e de atrações como o Palácio Real. Nesse momento, chega a ser algo histriônica sua opção por filmar em planos distanciados o palácio, e após algumas imagens mais fechadas, centrar toda sua atenção em um guarda que se mantinha como sentinela no momento da filmagem. Segue-se a estátua do líder que expulsou os otomanos do território sérvio em 1867. A estação ferroviária da cidade, descrita como monumental pelas cartelas e flagrada de um ângulo da praça que se situa defronte a ela. Ainda que a cartela, tal como as ficções – sobretudo de um período um pouco anterior – antecipe o que ainda será mostrado, o contraste entre os agricultores em trajes típicos e os traços modernos da estação, as imagens que se seguem não cumprem exatamente a promessa, já que são planos demasiado fechados para que se perceba o contraste. Outra tentativa nesse sentido é mais bem sucedida, quando apresenta camponeses guiando carroças com bois pelos equipamentos urbanos da cidade. O centro da cidade, que segundo a cartela, assemelha-se ao de qualquer outra  cidade europeia. Com o adendo, que há algo de mais prosaico na rua, na sua ausência de trânsito – no momento que a câmera flagra apenas uma carruagem, um carro estacionado e muitos transeuntes a se movimentarem pelo quadro. Um guarda de trânsito, que segundo uma cartela trabalha aqui como alhures (e por qual motivo não o seria?). O que no geral se pode perceber na interpretação da cidade posta pelas cartelas, é um paternalismo demasiado em relação ao seu próprio centro urbano de referência da companhia produtora (Paris), que parece deslumbrado em encontrar referências da civilização moderna em uma cidade fora do eixo europeu mais cosmopolita. O curta se aproxima mais dos tipos humanos, quando se detém, não por acaso, em tipos populares. Assim observamos um transeunte ser servido em pé por um vendedor que carrega uma enorme jarra de estética vagamente orientalista no ombro e a qual apenas com um breve movimento faz com que o líquido caia no copo do freguês (na imagem mais intrigante do filme), enquanto outro lhe serve algo sólido. A diversidade racial (segundo uma cartela, encontrada em poucas outras cidades do mundo) também é motivo de atenção. E por falar em orientalismo, a cidade antiga possui feições bem mais orientais. Parte da coleção Jean Desmet. 8 minutos e 43 segundos. 

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