Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#157: Lita Stantic



 LITA STANTIC. (Argentina, 1942). A produtora mais significativa do novo nuevo cine na Argentina das décadas de 90 e 2000, Lita Stantic foi também fortemente envolvida no grupo de esquerda Cine Liberación nos anos 60. Nascida Élida Stantic de pais croatas (iuguslavos), foi apaixonada pelo cinema desde a tenra idade. Não observando qualquer mulher envolvida na indústria do cinema, imaginou-se como crítica. Na entrada de seus vinte anos sentiu-se influenciada pelo neorrealismo italiano do pós-Segunda Guerra e o cinema polonês dos anos 50. Em 1965 co-dirigiu um filme com seu parceiro, Pablo Szir, El Bombero Esté Triste y Llora, e tornou-se envolvida no cine de compromiso argentino. Stantic ficou  tão comovida com La Hora de los Hornos (A Hora dos Fornos, 1968) que se tornou envolvida com sua distribuição clandestina e uniu-se ao Grupo de Cinema Liberación. Ela e Szir trabalharam juntos novamente, sobre o camponês lendário denunciando a agressão policial e a levou a um grupo de bandidos ao estilo de Robin Hood, Isidro Velázquez (que desapareceu por completo), e estiveram envolvidos proximamente no filme coletivo realizado sobre o Cordobazo, o levante civil, Argentina, Mayo de 1969: Los Caminos de la Liberación (1969), que até recentemente era dado como perdido. Após o golpe militar de 1976, Szir "desapareceu".

A carreira de Stantic enquanto produtora de cinema à sério iniciou com La Parte del Léon (1978), dirigido por Adolfo Aristarain, e dois filmes dirigidos por Alejandro Doria, em 1979, Contragolpe e La Isla, que venceu dois prêmios no Festival de Cinema do Mundo de Montreal. Em 1981, iniciou sua associação próxima com Maria Luísa Bemberg, para quem produziu seus cinco primeiros filmes, incluindo Camila (1984) e Miss Mary (1986). No último, Stantic se tornou próxima da estrela britânica Julie Christie, inspirando-a a olhar para seu próprio passado, levando a produtora a escrever um roteiro, e eventualmente a dirigi-lo, Un Muro de Silencio (Argentina/México/Reino Unido, 1993). Este filme permanece o único longa que Stantic dirigiu, mas é um projeto bastante importante, pessoal, para ela, sobre uma mulher que deseja esquecer seu passado traumático, incluindo o "desaparecimento" de seu marido, mas cuja memória sempre retorna.

Formou uma companhia produtora com Bemberg, GEA Producciones, e em 1999 formou a sua própria companhia produtora, Lita Stantic Producciones permitindo-a  produzir filmes cujos roteiros ela admirava pessoalmente e que ela acreditava resultariam em filmes que teriam a habilidade para "transformá-la" ou "deixar algo com ela" (Haden Guest, entrevista). Stantic nunca baseou suas decisões em considerações comerciais, e trouxe a fruição uma série de projetos que, de outro modo, não haveriam sido realizados. Dentre as obras relevantes do nuevo cine que ela produziu estão Mundo Grúa (1999), de Pablo Trapero, La Ciénaga (O Pântano, 2001) e La Niña Santa (A Menina Santa, 2004), de Lucrecia Martel, Bolivia (2001),  e Un Oso Rojo (2002), de Adrián Caetanoassim como Tan de Repente (Tão de Repente, 2002), de Diego Lerman. Stantic não apenas funcionou como uma mentora experiente destes jovens, mas também auxiliou a conseguirem co-produções internacionais seguras e distribuição para seus filmes. 

Stantic continou a apoiar realizadores de primeira vez, por exemplo, Cordero de Dios (2008), de Lucía Cedrón, que venceu quatro Condores de Prata e quatro prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas da Argentina, ambos incluindo Melhor Primeira Obra. Ela também continua a produzir trabalhos grandemente experimentais, mais notadamente Hamaca Paraguya (2006), (uma co-produção entre Paraguai/Argentina e Holanda/Áustria/França/Alemanha), que venceu o prêmio FIPRESCI na mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes.

Texto: Rist, Peter H. Historical Dictionary of South American Film. Plymouth: Rowman & Littlefield, 2014, pp. 541-42. 

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