Filme do Dia: Todo o Dinheiro do Mundo (2017), Ridley Scott
Todo o Dinheiro do Mundo (All the Money in the World, EUA, 2017).
Direção: Ridley Scott. Rot. Adaptado: David Scarpa, a partir do livro de John
Pearson. Fotografia: Dariusz Wolski. Música: Daniel Pemberton. Montagem: Claire
Simpson. Dir. de arte: Arthur Max & Cristina Onori. Cenografia: Letizia
Santucci. Figurinos: Janty Yates. Com: Michelle Williams, Christopher Plummer,
Mark Wahlberg, Charlie Plummer, Romain Duris, Timothy Hutton, Andrew Buchan,
Andrea Piedmonti Bodini.
1973. John Paul
“Paolo” Getty III (Charlie Plummer), neto do então homem mais rico do mundo,
John Paul Getty (Chritopher Plummer), é sequestrado enquanto andava pela noite
da diversão e prostituição romanas. Seus sequestradores entram em contato com
sua mãe, Gail (Williams), que não é da família Getty, exigindo 17 milhões de
dólares em troca do garoto. Gail se desespera quando sabe que o ex-genro não se
encontra sequer disposto a pagar os 4 milhões de dólares ao segundo grupo de
sequestradores, mais violento, do qual o garoto se tornou refém. Do magnata
Gail apenas pode contar com a ajuda do experiente ex-agente secreto Fletcher
Chase (Wahlberg).
Se cineastas como
Marco Bellochio revisitam fatos vivenciados no mundo histórico, apresentando
soluções distintas daquele, como forma – mesmo que questionável – de revisar a
história de seu país em Bom Dia, Noite
(2003), aqui, como se refere desnecessariamente os créditos finais, eventos
ocorridos no mundo histórico são manipulados com intenções de efeito dramático,
em outras palavras, para gerar maior espetacularização e suspense. Não se
trata, como em outros filmes contemporâneos, de se extrair lições de moral tais
como o abertamente ficcional Três
Anúncios Para um Crime, mas de gerar suspense juntamente com indignação a
partir de personagens que se tornam crescentemente polarizados, com Gail
sofrendo com a possibilidade de perda iminente de seu filho de um lado e o
egoísmo sovina de Getty, uma espécie de versão atualizada de Scrooge de
Dickens, do outro. Como no filme de McDonagh, é através da postura de certo
enfrentamento moral provocado por pessoas próximas que ocorre a “conversão”. No
caso o momento em que Fletcher se depara
com seu patrão e diz o que pensa dele, aliviando catarticamente o que se
pretende construir em termos de empatia em relação aos personagens do “eixo do
bem”. Desnecessário afirmar que os italianos sequestradores dos dois grupos,
incluindo aquele que é observado com um pouco mais de detalhe que é Cinquanta,
são elaborados de forma bastante caricata e ligeira, praticamente uma
atualização da figura de cigano dos tempos de Griffith em termos de ameaça à
tranquilidade da família burguesa, e no caso encarnada na pele de um jovem algo
andrógino e de visual não tão distante assim do de seus detratores, embora mais
bem tratado. Imperative Ent./Panorama Films/RedRum Fims/Scott Free
Prod./TriStar Pictures para Sony Pictures Ent. 132 minutos.

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