Filme do Dia: Tabu (1999), Nagisa Oshima
Tabu (Gohatta, Japão/França/Reino Unido, 1999). Direção: Nagisa Oshima.
Rot Adaptado: Nagisa Oshima & Ryotaro Shiba, baseado nos romances Maegami
No Sozaburo e Sanjogawara Ranjin de Shinsengumi Keppuroku. Fotografia:
Toyomichi Kurita. Música: Ryuichi Sakamoto. Montagem: Tomoyo Oshima. Dir. de
arte: Yoshinobu Nishioka. Figurinos: Emi Wada. Com: Takeshi Kitano, Ryuhei
Matsuda, Shinji Takeda, Tadanobu Asano, Masa Tommies, Masatô Ibu, Uno Kanda.
Na era Shogun, um grupo de samurais
liderado pelo capitão Toshizo Hijikata (Kitano), começa a se desentender, após
a chegada do jovem e hábil Sozaburo Kano (Matsuda). De feição andrógina e
usando franjas nos cabelos, ele acaba despertando a paixão de diversos homens,
entre eles o samurai Tashiro (Asano), com quem passa a se relacionar, e alguns
superiores, como Yuzawa (Taguchi), que é morto por seu Tashiro. Sempre fazendo
vista grossa as confusões decorrentes das paixões que envolvem a figura de
Kano, Hijikata descobre o autor do assassinato. Hijikata, mesmo que a
contragosto, recebe ordens do comandante Kondo (Sai), para que Tashiro seja
morto justamente por Kano, para evitar novos conflitos dentro do grupo. A
sentença é acatada, sem qualquer constestação por Kano. Depois de matá-lo, Kano
também é sacrificado.
Uma boa dose de ironia e humor
subliminares acompanham essa narrativa que apresenta uma faceta pouco abordada
pelo cinema na cultura dos samurais. Calcado sobretudo na figura de Hijikata,
com seus comentários espirituosos, tal humor, expresso de forma excessivamente
moderna, torna-se um dos obstáculos para a maior verossimilhança do enredo. Aos
entretítulos cabe o papel não só de facilitador de alguns aspectos peculiares
do que é narrado (tendo ainda como auxílio a bela trilha de Sakamoto) como de
um elemento a mais no reforço do tom levemente humorado. Buscando efeito
poético, apresenta algumas cenas plasticamente belas, como a que o capitão
corta um crisântemo, demonstrando sua nova postura diante das irregularidades
na sua milícia. Está longe de possuir o impacto de O Império dos Sentidos (1976). Por outro lado, é mais vivo que o
excessivamente estetizado O Império da Paixão (1977). O tema da homossexualidade e os jogos de poder daí
decorrentes em uma instituição militar já haviam sido tema de outro filme do
cineasta, Furyo – Em Nome da Honra (1983),
em que o cineasta Kitano, um dos nomes mais representantivos do cinema japonês
da década de 90, também participa como ator. BS Asahi/Bac Films/Eisei Gekijo/Imagica Corp./
Kadokawa Shoten Publishing Comp./Canal +/Oshima Productions/RPC/Shochiku Films.
110 minutos.

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