Filme do Dia: O Mal que Nos Habita (2023), Damián Rugna
O Mal que
Nos Habita (Quando Acecha la Maldad, Argentina/EUA, 2023). Direção e
Rot. Original Damián Rugna. Fotografia Mariano Suárez. Música Pablo Fuu.
Montagem Lionel Cornistein. Dir. de arte Laura Aguerrebehere. Figurinos Pheonia
Veloz. Maquiagem Elizabet Gora. Com Ezequiel Rodríguez, Demian Salomón, Silvina
Sabater, Luis Ziembrowski, Marcelo Michinaux, Emilio Vodanovich, Virginia
Garófalo, Paula Rubinsztein, Desirée Salgueiro, Federico Liss.
Os irmãos Pedro (Rodríguez) e Jaime (Salomón) escutam
estampidos e um corpo decepado pela metade em sua propriedade. Descobrem um
“apodrecido”, Uriel, um demônio não nascido, filho de Maria Elena (Quinteros).
O proprietário da terra, Ruiz (Ziembrowski) expulsa a família de suas terras.
Eles levam, contra a vontade de Maria Elena e de seu outro filho, o apodrecido
em sua caminhonete. Uma criança no meio da estrada faz com que o carro provoque
uma guinada brusca. Somente um tempo após o episódio e muitos quilômetros
adiante é que descobrirão que o apodrecido não mais se encontra no veículo.
Preferem não ir atrás dele. No dia seguinte, a esposa de Ruiz, Jimena
(Salgueiro) observa uma cabra que seria a encarnação do demônio. Ela suplica ao
marido que não a mate com um tiro, que é o que ele faz. Ela o mata a golpes de
machado, matando a si própria a seguir. Jaime e Pedro decidem abandonar a
cidade quando sabem do ocorrido. Eles vão até a casa da ex-mulher de Pedro,
Sabrina (Garófalo), que não entende a situação, pois há uma medida protetiva
contra a aproximação dele. uma confusão se instaura entre os dois e o atual
companheiro de Sabrina, Leonardo (Liss). Em meio a confusão, uma filha do casal
é arrastada por um cachorro e Leo, contra as indicações de Pedro, mata o
animal, a seguir jogando o carro contra a mulher e a filha. Pedro e Jaime
buscam então por sua mãe e continuam com o filho com deficiência mental dele
com Sabrina, Jair (Vodanovich). Uma amiga de Jaime, Mirta (Sabater) é tida como
uma das poucas pessoas a saber lidar com os apodrecidos. Eles dormem por lá,
contra a vontade de Pedro. O corpo possuído de Sabrina sequestra o filho do
casal, Santino (Michinaux). Mirta orienta a Jaime que a busque, enquanto ela e
Pedro irão buscar Uriel como uma busca de se eliminar o mal pela raiz. Eles
acreditam que poderão encontra-lo em uma escola, pois as crianças são vítimas
preferenciais, devido a baixa resistência de suas mentes. De fato, lá descobrem
o apodrecido Uriel, em meio ao piso de um palco da escola. Pedro, aterrorizado
ao não conseguir tirar Uriel do local para que Mirta lhe dê cabo, não a escuta,
e sim a uma das crianças possuídas, e se afasta do local, provocando a morte de
Mirta. Ao retornar para casa, descobre que seu filho Jair, assim como
provavelmente também o irmão, já são possuídos, para não falar dele próprio, já
que não consegue se livrar de uma marca vermelha na testa.
Por algum momento, suspeita-se, por qual motivo seja,
que se inverterá a ordem habitual e o filme se afastará do gore e se
aproximará de algo mais próximo do suspense. É um presságio falso desta
produção que ganhou uma aura cult e uma bilheteria relativamente
generosa quando de seu lançamento. Na verdade, mescla algumas boas cenas com
muitos momentos demasiado acima da escala da interpretação para se referirem a
situações semelhantes no plano social, como a da mulher a lançar o enorme
machado contra a própria testa, o cachorro a carregar a criança após mastiga-la
ou o atropelamento do marido sobre a própria mulher e seu filho. Existe ainda
as sete regras contra o mal. O que também poderia ser uma espécie de farol para
um antídoto das situações limítrofes e alguns momentos francamente
involuntariamente hilários de histeria. Que parecemos estar assistindo ao
equivalente argentino de João Mojica Marins com mais recursos de produção. A
melhor das cenas talvez seja a da escola, mas já pressentimos que findará no
mais grotesco gore, o que não chega a ser verdade. Se pusermos na conta
da distopia contemporânea a quantidade de produções de terror, na maior parte
ainda bem mais medíocres que esta, seu final poderia ser a verdadeira homilia
dos tempos que vogam quando foi lançada: impotência diante do mal; medo;
impossibilidade do diálogo e/ou fé suficiente no racional, o que já seria por
si um paradoxo, sintetizado, mais que tudo, pela incapacidade de Pedro de ir
até o final com as orientações de Mirta, perdendo a chance da eliminação mal.
Trabalha-se com a inversão da cultura social habitual, com as crianças sendo
uma fonte mais fácil, e não de resistência, ao mal, o que não necessariamente é
exatamente uma exceção ao gênero. E, para tampouco fugir do forte caldo
contemporâneo, há numerosas referências bíblicas, embora estas também façam
parte do repertório imemorial do gênero, como a marca na testa do protagonista,
como no episódio de Caim e Abel ou o “lobo na pele de cordeiro” Jair – uma
referência ao líder político brasileiro, então presidente quando da realização
das filmagens? – que depois o pai descobrirá ter engolido a avó. |Machaco
Films/Aramos Cine/Shudder para Charades. 99 minutos.![]()

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