Filme do Dia: Wicked (2024), Jon M. Chu

 


Wicked (EUA/Japão/Canadá/Islândia/Reino Unido, 2024). Direção Jon M. Chu. Rot. Adaptado Winnie Holzman & Dana Fox, a partir do musical com livro de Holzman e do romance de Gregory Maguire. Fotografia Alice Brooks. Música John Powell & Stephen Schwartz. Montagem Myron Kerstein. Dir. de arte  Nathan Crowley, Ben Collins & David Lazan. Cenografia Lee Sandales. Figurinos Paul Tazewell. Com Cynthia Erivo, Ariana Grande, Michelle Yeoh, Jeff Goldblum, Jonathan Bailey, Ethan Slater, Marissa Bode, Peter Dinklage.

Após o encantamento com a morte da Bruxa Má por todo o reino, sua garota mais popular, Galinda (Grande) irá relembrar sua amizade com Elphaba (Erivo), uma garota antissocial e cheia de temores ao ter nascido verde e desprezada pelo pai, mas tida como escolhida pela mulher mais poderosa do reino de Oz, Madame Morrible (Yeoh), para se dirigir ao Maravilhoso Mágico de Oz (Goldblum) e ter acesso às escrituras sagradas. Galinda, então enamorada do jovem Fiyero (Bailey), aceita de última hora o convite e parte com a amiga para a cidade de Emerald. Porém, no momento da consagração, Elphaba descobre estar sendo usada como fantoche para os interesses de Morrible e do Maravilhoso Mágico de Oz em dominar os animais em jaulas, evitando que ganhem o protagonismo e cheguem a ser professores, como é o caso do bode Dr. Dillamond.

Faz-nos amar quase incondicionalmente a economia narrativa do cinema clássico – O Mágico de Oz (1939), por exemplo, tinha uma hora a menos. Os cenários rebarbativos de um universo da fantasia inteligentemente não definidores de uma época específica e que parecem misturar universos tão distintos quanto os de Harry Potter ao mundo de Oz, passando por uma sensação de espaço tão generoso quanto a dos curtas de animação, com suas casas a não parecerem findar nunca, e uma fantasia tão autocomplacente e egóica quanto A Fantástica Fábrica de Chocolate. Ainda sobre sua cenografia, sua mescla entre CGI e cenários reais nos fazem apontar para um cinema que, como na vida real de sua época, a distinção entre o verdadeiro e o imaginado enquanto tal se torna cada vez menos preponderante. E em sua sandice encalacrada da fantasia, paradoxalmente os cenários tão imensamente capazes de esconder as marcas do tempo – lidando inclusive com marcadores mais precisos deste, como bólides tais como uma locomotiva, sob a escolha da fantasia desvairada futurista-retrô – não o são do espetáculo como um todo ser absolutamente fincado na tradição do universo musical estadunidense, do show de variedades do vaudeville ao musical da Broadway e seu liquidificador de referências digno de uma escola de samba carioca. A determinado momento, por exemplo Goldblum alude a célebre cena da pantomima paródica de Hitler feita por Chaplin em O Grande Ditador. Em outro, Galinda (depois Glinda) tem o espartilho amarrado contra seu tronco como Scarlett o tivera em ...E O Vento Levou. E ainda há o temor de uma história heterossexuada nos padrões da fantasia. Muito pouco é formulado da paixão de Galinda por Fiyero, enquanto a intimidade e as aventuras compartilhadas pelas duas amigas possuem todo o cabedal de uma história de amor com praticamente todas as peripécias dignas de tal. E, ao final, descobre-se com temor que se trata apenas de um primeiro longa. Quanto a abordagem de temas a dialogarem com o universo político-ideológico, estes são genéricos e amorfos o suficiente para não dizerem grande coisa além do universo da fantasia, como é típico de toda a trajetória do cinema estadunidense. As canções, e as caras e bocas que as proporcionam, muitas vezes entre os diálogos, são uma prova à paciência.  |Marc Platt Prod./Moving Pictures/Sky Studios/Québec Prod. Services Tax Credit/The Icelandic Film Foundation para Universal Pictures. 162 minutos.

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