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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Filme do Dia: A Bela Junie (2008), Christophe Honoré


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A Bela Junie (La Belle Personne, França, 2008). Direção: Christophe Honoré. Rot. Original: Christophe Honoré & Gilles Taurand. Fotografia: Laurent Brunet.  Música: Alex Beaupain. Música: Chantal Hymans. Dir. de arte: Samuel Deshors & Emmanuelle Cuillery. Com: Louis Garrel, Léa Seydoux, Grégoire Leprince Ringuet, Esteban Carvajal-Alegria, Simon Truxillo, Agathe Bonitzer, Anaïs Demostier, Valerie Lang.
Junie (Seydoux) muda de escola logo após a morte da mãe e passa a viver na casa do primo Matthias (Carvajal-Alegria). A beleza plácida e algo melancólica de Junie atrai a atenção do companheiro de sala Otto (Ringuet), que se apaixona por ela. Eles passam a namorar. O professor de italiano Nemours (Garrel) se apaixona perdidamente por ela e dispensa suas duas amantes. A situação se torna crítica quando uma carta na sala é tida como de Nemours para Junie, quando na verdade se trata do amante de Matthias. Junie decide se afastar quando sabe que irá corresponder ao amor de Nemeurs e não pretende magoar Otto. Este, sentido-se lesado ao saber que Junie beijou Nemeurs, suicida-se quase diante de seus olhos. Nemours pede licença da escola e segue Junie. Após um encontro no qual Junie afirma que não suportaria ficar com ele, pois saberia que um dia o amor entre eles se tornaria como qualquer outro,  desconversa sobre um novo encontro. Quando Nemeurs tenta voltar a encontrá-la, descobre que ela partiu para um lugar distante e não mais pretende vê-lo.
Esta livre adaptação de La Princese de Clèves, de Madame de La Fayette (1634-93), traz a história para a Paris contemporânea, belamente fotografada, e para uma ciranda do amor imperfeito trilhada por um elenco jovem e belo, ou seja, nada muito diverso de outras produções recentes de Honoré (Canções de Amor, Em Paris). Como nos outros dois, também existem momentos – ainda que aqui mais reduzidos – em que os personagens cantam de forma quase murmurante a respeito de seus amores. A adaptação de um texto clássico e a fixação em relações amorosas poderia sugerir uma aproximação com Rohmer, mas nada mais distante. Ao contrário daquele, tudo se torna mais convidativo, glamourizado e, em outras palavras, palatável para um espectador médio. O que talvez não deixe tampouco de ser o maior mérito de seu realizador, ao ficar num meio termo entre drama que se pretende, a seu modo, “profundo” e o banal melodrama de cada dia. Ainda que tal equilíbrio demonstre o bom senso de direção de seu realizador, o filme tropeça em subtramas absolutamente desnecessárias, afastando-se mais uma vez da concisão exemplar de um cineasta como Rohmer. Chiara Mastroianni faz uma ponta, sorrindo para a protagonista em um café frequentado por praticamente todos as personagens. O mesmo romance já rendeu adaptações de Jean Dellanoy, Manuel de Oliveira e Andrzej Zulawski. O filme assistido pelos estudantes e professores, a determinado momento é Yaaba (1989), de Idrissa Ouedraogo.  Arte France/Scarlett Production. 90 minutos.


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