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quinta-feira, 5 de julho de 2018

Filme do Dia: O Lobisomem de Londres (1935), Stuart Walker


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O Lobisomem de Londres (Werewolf of London, EUA, 1935). Direção: Stuart Walker. Rot. Adaptado: John Colton & Edmund Pearson, a partir do conto de Robert Harris. Fotografia: Charles J. Stumar. Música: Karl Hajos. Montagem: Russell F. Schoengarth & Milton Carruth. Dir. de arte: Albert S. D’Agostino. Com: Henry Hull, Warner Oland, Valerie Hobson, Lester Matthews, Lawrence Grant, Spring Byington, Clark Williams, J.M. Kerrigan.
Dr. Glendon (Hull) é um cientista em missão botânica no Tibete que se vê subitamente atacado por um animal bizarro. Ele retorna a Londres, onde se transforma em lobisomem e aterroriza a cidade durante as noites de lua cheia. Glendon recebe o alerta do misterioso Dr. Yogami (Oland), de que apenas uma rara flor asiática pode servir como antidoto temporário contra a mutação e que, caso ele não se precava, irá matar o seu próprio objeto de amor, no seu caso a esposa Lisa (Hobson). Estranhando o crescente isolamento social do marido, Lisa se torna cada vez mais próxima de um amigo que sempre nutrira intensos sentimentos por ela, Paul Ames (Matthews). Disposto a matar os dois, Glendon é morto pela polícia.
Habitualmente esquecido como primeira produção a introduzir o tema do Lobisomem, que só ganharia sua imagética definitiva em 1941, com Lon Chaney Jr. e uma maquiagem que dizem já ter sido criada para essa produção e rejeitada por Hull, pela lentidão que acompanhava o processo. Com exceção de seu atmosférico prólogo inicial, belamente fotografado e distante das convenções associadas a filmes do gênero, o filme provavelmente chamará maior atenção muito tempo após como mais uma produção a explorar o universo “gótico” associado a Inglaterra como pano de fundo para representar elementos associados subliminarmente a sexualidade vitoriana. Mesmo que apresente uma franqueza com relação a sexualidade pouco comum em se tratando de produções lançadas após o Código Hays, sobretudo na descrição de duas senhoras dissolutas e de uma mulher que mantém uma relação com um porteiro casado do zoológico, e que é praticamente ausente de produções do gênero efetivadas pelo estúdio, o modo com que o Lobisomem torna vítimas justamente mulheres que evidenciam tal conduta não apenas desdiz o diagnóstico lançado anteriormente pelo experiente Yogami como igualmente apresenta uma subliminar conduta moralizante e mesmo misógina. Ao incluir entre suas vítimas uma prostituta, uma mulher que se oferece a um homem casado e uma velha “libertina”, quase chegando a matar a mundana e fútil tia de Lisa, estar-se-ia acenando menos para um desejo da criatura de matar o seu objeto de amor do que talvez de matar em seu objeto de amor justamente o que talvez a identificasse com todas as vítimas anteriores, que é o próprio desejo feminino – representado sobretudo na autonomia de Lisa de ir contra as imposições do marido e sair com o amigo. É evidente o quanto o filme deve ao clássico O Médico e o Monstro (1931), de Mamoulien, identidade que é visualmente selada no momento em que morto, o monstro volta a sua aparência inicial, porém a forma como é tematizada a questão subliminar da sexualidade parece bem mais pudica na composição do protagonista. Outro lugar comum do repertório dos filmes fantásticos, o que negocia a relação entre o sobrenatural e a dimensão de um universo realista mais aparentado com o do seu potencial espectador, é a “falsificação” voluntária do inquérito policial para mascarar os seus aspectos mais sensacionais do grande público, que permanece indelével ao final de um filme como A Mosca da Cabeça Branca, realizado mais de duas décadas após. Uma nova versão, atualizando as trucagens associadas a maquiagem, seria efetivada em 1981. Universal Pictures. 75 minutos.