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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Filme do Dia: O Caminho para Guantánamo (2006), Michael Winterbottom & Mat Whitecross


O Caminho para Guantánamo (The Road to Guantanamo, Reino Unido, 2006). Direção: Michael Winterbottom & Mat Whitecross. Fotografia: Marcel Zyskind. Música: Harry Escott & Molly Nyman. Montagem: Mat Whitecross & Michael Winterbottom. Dir. de arte: Mark Digby. Com: Riz Ahmed, Farhad Harun, Waqar Siddiqui, Afran Usman, Shahid Iqbal, Sher Khan, Jason Salkey, Jacob Gaffney, Mark Holden.

Um quarteto de amigos muçulmanos britânicos que se encontram no Paquistão para o casamento de um deles atravessa a fronteira para o Afeganistão para conhecer o país e  se enredam numa teia que os leva a serem apreendidos numa mesquita como simpatizantes da Al-Quaeda e levados para a prisão de Guantánamo, em Cuba, onde sofrem toda sorte de torturas e humilhações físicas e psíquicas.

A mescla entre ficção e muitas inserções documentais tenderiam a potencializar o caráter de denúncia do filme, algo já utilizado com os mesmos parcos resultados em outra produção semelhante do mesmo diretor, Welcome to Sarajevo (1998). Decepcionantemente banal para alguém medianamente informado fora do mundo anglo-saxão e, pior que isso, tediosamente convencional em termos formais, com uma desnecessária trilha sonora melodramática, quando comparado a ousadia e síntese de um filme como 9 Canções (2004), também de Winterbottom. Sua trama é costurada através de uma reconstituição próxima de um diário de viagem a partir de depoimentos dos três protagonistas sobreviventes diretamente para a câmera. Não consegue ser efetivo enquanto relato de um drama particular (que possui todas as chances de provocar empatia com um público europeu, sobretudo britânico “conscientizado”, ao apresentar cidadãos britânicos inocentes sendo covardemente torturados) devido, em grande parte, a interpretação canhestra do elenco. Nem tampouco elucidativo quando a questão política maior que envolve o drama particular. Ainda que o filme faça uso de vários mecanismos para tornar mais “documental” o evento narrado, como o fato de ter sido filmado em HV, a evidente falta de verossimilhança e emoção dos narradores que reconstituem os eventos sofridos diretamente para a câmera e falta de originalidade quanto ao evento tratado põem tudo por terra, deixando-o distante em seu efeito de documentários igualmente engajados tais como Fahrenheit 11/09, de Michael Moore. Urso de Prata de direção no Festival de Berlim. FilmFour/Revolution Films/Screen West Midlands. 95 minutos.

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