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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Filme do Dia: Napola (2004), Dennis Gansel






Napola (Napola – Elite für den Führer, Alemanha, 2004). Direção: Dennis Gansel. Rot. Original: Dennis Gansel & Maggie Peren. Fotografia: Torsten Breur. Música: Angelo Badalamenti & Normand Corbeil. Montagem: Jochen Retter. Dir. de arte: Matthias Müsse & Martin Maly. Figurinos: Natascha Curtius-Noss. Com: Max Riemelt, Tom Schilling, Jonas Jägermeyr, Leon A. Kersten, Thomas Drechsel, Martin Goeres, Florian Stetter, Devid Striesow.

Friedrich Weimer (Riemelt) é um talentoso praticante de boxe que vê sua sorte mudar na Alemanha nazista, quando recebe a indicação de um oficial, Vogler (Striesow), para fazer parte da Napola, a elite do comando nazista, para a ira de seu pai judeu. Frierich rapidamente se estabelece como uma referência entre seus pares dado o seu talento no boxe, mas não é poupado como ninguém do treinamento extremamente extenuante. Friedrich se torna amigo do sensível e protegido filho de um oficial alemão que é líder regional da SS, Albrecht Stein (Schilling). A amizade dos dois faz com que Friedrich começe a refletir sobre os rumos que sua conduta se está dirigindo, algo que somente piora quando são convidados para a mansão da família Stein. Lá ambos são incitados a lutar boxe e Friedrich põe Albrecht quase em nocaute. Posteriormente, ambos fazem parte de um pelotão que chacina um grupo de crianças e adolescentes, sem saber que não eram adultos. Albrecht se sente completamente enojado pela situação e compõe uma redação que expressa publicamente seu repúdio, tornando-se um constrangimento para seu pai. Pouco depois, decide se deixar morrer em meio a uma prova em águas glaciais, provocando o desespero de Friedrich. Numa luta de boxe que segue a morte de Albrecht ele  perde propositalmente e é expulso do castelo apenas com a mesma roupa que entrara.

Como em seu filme de maior repercussão internacional, A Onda (2008), Gansel se detém sobre os mecanismos que compõe a estrutura do autoritarismo, apresentados aqui de forma mais convencionalmente dramática e menos esquemática que em seu filme posterior, com melhor resultado. A amizade entre os dois amigos fica muito próxima da explicitação de uma paixão sexual, mas apenas sugerida do início ao final. Fortalecido pelo desempenho de ambos os atores, assim como um bom elenco de apoio, que de uma maneira geral se sai bem melhor que em seu filme posterior, o filme investe na sociabilidade da juventude hitlerista como poucas produções o fizeram. A enorme pressão exigida por uma sociedade agressivamente homonormativa masculina faz com que um pai sustenha as lágrimas ao saber da morte do filho, tentando driblar a emoção ao afirma que era um fraco ou que um dos garotos, constantemente humilhado diante dos seus pares por sua incontinência urinária, se sacrifique  para salvar todo o esquadrão, ironicamente tornando-se um herói após morto. Pode-se sentir, como em A Onda, a tensão entre sentimentos individuais e a pressão coletiva. E é do ator-fetiche de Gansel, o excelente Riemelt, que se faz uso para melhor expressar tal tensão. Certamente se está longe das alegorias do Novo Cinema Alemão a respeito do nazismo, que o pontuaram do ínicio (O Jovem Törless) ao final (O Tambor) e mais próximo da evocação pseudo-biográfica de Adeus, Meninos, mesmo que sem a mesma sutileza do último. Gansel sempre apela para saídas mais convencionalmente excessivas em sua dramaticidade, como a do afundamento de Albrecht no lago gelado observado pelo amigo. Apresenta o evento sem fazer qualquer julgamento moral sobre seu jovem protagonista, observado com generosidade e mesmo uma certa ‘redenção’ após se negar a continuar pactuando com as exigências sociais impostas. Menos redundante e óbvio que na sua produção de quatro anos após, teve seu protagonista inspirado na figura do avô do cineasta. Olga Film GmbH/Constantin Film/Seven Pictures para Constantin Film.  117 minutos.



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