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sábado, 21 de junho de 2014

Filme do Dia: Gata em Teto de Zinco Quente (1958), Richard Brooks






Gata em Teto de Zinco Quente (Cat on a Hot Tin Roof , EUA, 1958). Direção: Richard Brooks. Rot. Adaptado: Richard Brooks & James Poe, baseado na peça homônima de Tennessee Williams. Fotografia:  William H. Daniels. Montagem: Ferris Webster. Dir. de arte: William A.Horning& Urie McCleary. Cenografia: Henry Grace & Robert Priestley. Figurinos: Helen Rose. Com: Elizabeth Taylor, Paul Newman, Burl Ives, Jack Carson, Judith Anderson, Madeleine Sherwood, Larry Gates, Vaughn Taylor.

          Maggie (Taylor) é uma mulher de origem humilde que ascendeu socialmente ao casar com o filho de um milionário, Brick (Newman), que só pensa em afogar suas mágoas no álcool pela morte do melhor amigo, Skipper. O casal, temporariamente hospedado na mansão do pai de Brick, Big Daddy (Ives), vive uma grande crise, com a rejeição de Brick a ter qualquer envolvimento físico com a esposa somado a morte iminente do milionário por câncer e a ganância da outra nora de Big Daddy, Mae (Sherwood), casada com o fraco irmão de Brick, Gooper (Carson). Vivendo seus últimos dias, Big Daddy possui uma conversa franca com Brick. Enquanto o pai acusa o filho de não tê-lo procurado, buscando proteção em Skipper, o filho acusa o pai de nunca ter demonstrado a mínima afeição pelos filhos ou esposa, apenas lhes concedendo benesses materiais. Fazem as pazes, ao mesmo tempo que Maggie anuncia que encontra-se grávida, mentira que logo o casal trata de transformar em verdade no quarto.
Williams detestava essa adaptação, que realmente sofre com doses excessivas de sentimentalismo (a conversa final entre pai e filho), a excessiva caricatura de certos personagens (como Mae) e a lacônica forma com que se refere a relação homo-erótica entre Brick e Skipper (que não passou despercebida ao documentário O Celulóide Secreto), para não falar das mudanças súbitas de personagens como Brick, amparados menos em qualquer solidez psicológica que na necessidade imperiosa de um happy-end. Ainda assim, um certo charme e ousadia permanecem, seja nas alusões mais explícitas ao sexo ou nas dúbias personagens de uma Maggie apaixonada pelo marido mas, ao mesmo tempo, pouco disposta a deixar  com que Mae abocanhe toda a herança de Big Daddy para sua família ou de um Brick que não consegue beber no mesmo copo da esposa, ao mesmo tempo que cheira escondido sua camisola no banheiro. Ou ainda a cena em que a esposa de Big Daddy, devastada pela acusação de agir com hipocrisia em relação a ele, torna-se uma figura patética sentada em uma cadeira, a segurar um enorme bolo que comemora o aniversário do marido. O tom meio blasée do filme, mesmo com todas suas motivações melodramáticas, é acentuado pela bela trilha de jazz. Newman, viveria outro personagem semelhante em uma adaptação posterior de Williams, igualmente dirigida por Brooks, O Doce Pássaro da Juventude (1962). Avon Productions/MGM. 108 minutos.           

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