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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Filme do Dia: Devido a um Rapaz (2002), Fabrice Cazeneuve






Devido a um Rapaz (À Cause d’un Garçon, França, 2002). Direção: Fabrice Cazeneuve. Rot. Original: Vincent Molina. Fotografia: Stephan Massis. Música: Michel Portal. Montagem: Jean-Pierre Bloc. Dir. de arte: Olivier Raoux. Figurinos: Marie-José Escolar & Isabelle Vita. Com: Julien Baumgartner, Julia Maraval, Jérémie Elkaïm, François Comar, Patrick Bonnel, Christiane Millet, Antoine Michel, Nils Ohlund, Bernard Blancan.
Vincent (Baumgartner) é admirado na escola por ser o seu nadador mais talentoso e namora com Noémie (Maraval), ainda que se sinta atraído por homens. A situação muda de figura quando ele conhece Benjamin (Elkaïm), um garoto da escola que o desafia em relação a sua sexualidade. Alguns garotos assistem um breve encontro secreto entre os dois, onde não acontece mais que um beijo, e a “fama” de Vincent ganha a escola da forma mais homofóbica possível, sendo ele abertamente hostilizado pelos colegas de treino, ao mesmo tempo que passa a ter uma relação ambígua de amizade com a ex-namorada e tem que lidar com a tensão também na sua própria família, após o irmão, o problemático e desempregado Régis (Michel) ter revelado de supetão o que estava ocorrendo. Ainda assim, Vincent consegue o apoio de seu melhor amigo, Stéphane (Comar) e de seu técnico (Blancan), conseguindo conquistar a vitória em um torneio regional, assim como engatar um namoro com Benjamin.
Que não se anseie por algo autoral nesse longa efetuado para a televisão por um cineasta que construiu sua carreira basicamente no meio. Porém, pretensões autorais de lado, o filme consegue articular muito bem o seu drama central, construído a partir de uma forte base melodramática, qual seja, a do indivíduo contra uma série de obstáculos provocados e potencializados pelo meio social mais amplo. Essa base melodramática não significa que aqui se trate de um melodrama. Pelo contrário, Cazeneuve o articula de forma discretamente dramática e longe do sentimentalismo fácil com que alguns filmes abordaram o tema (tais como, em situação semelhante, Delicada Atração). Nada de trilha musical melosa ou de explosões irrestritas de apoio por parte dos pais. A empatia com o protagonista é criada sobretudo a partir do modo angustiado mas não vitimizado com que esse passa a lidar com a situação. Sua dignidade irrompe, por exemplo, quando  tenta continuar com os treinos aquáticos, mesmo discretamente vacilante na forma como se movimenta até chegar a piscina, como observado em um dos momentos mais tocantes do filme. São esses detalhes e silêncios que nos auxiliam a nos “sentir na pele” de Vincent, contando adicionalmente, é lógico, com o apoio da construção antipática e machista do irmão e dos colegas de esporte, observados no atacado. E, no plano da produção, com as interpretações mais que razoáveis de todo o elenco, com destaque para a intensidade não apenas de Baumgartner, mas igualmente de muitos dos coadjuvantes como o treinador vivido por  Blancan. Nenhum dos personagens observados mais de perto possui alguma antipatia ao protagonista e em alguns casos demonstram serem dotados de uma maior complexidade emocional. É o caso de sua ex-namorada que finda lhe dizendo que não suporta a situação de ser somente sua amiga/confidente e que necessita de um tempo sem vê-lo. Tampouco parece ser necessário se enfatizar o riso triunfante de “superação” do rapaz diante do esforço algo canhestro do professor de lhe esboçar apoio. Mais tais “pecadilhos” acabam soando menores dentro do conjunto bem orquestrado da obra.  Capa Drama/M6 Métropole Télévision. 86 minutos.

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