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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Filme do Dia: O Beijo da Morte (1947), Henry Hathaway


O Beijo da Morte (Kiss of Death, EUA, 1947). Direção: Henry Hathaway. Rot. Original: Ben Hecht & Charles Lederer, baseado no argumento de Eleazar Lipsky. Fotografia: Norbert Brodine. Música: David Buttolph. Montagem: J. Watson Webb jr. Dir. de arte: Lelland Füller & Lyle R. Wheeler. Cenografia: Thomas Little. Com: Victor Mature, Brian Donlevy, Coleen Gray, Richard Widmark, Taylor Holmes, Howard Smith, Karl Marlden, Mildred Dunnock.
Nick Bianco (Mature) é um assaltante que segue a trilha do pai, morto em ação. Porém, depois de ser preso por um assalto frustrado, é pressionado pelo inspetor da polícia Louie D`Angelo (Donlevy) a delatar os comparsas da ação, ganhando liberdade condicional para cuidar da esposa e duas filhas. Inicialmente resistente, Bianco acaba mudando de idéia quando soube da notícia do suicídio da esposa e que as duas filhas foram para um orfanato. Suas denúncias dão a impressão que Rizzo fora o culpado. O psicopata Tommy Udo (Widmark) mata a mãe de Rizzo (Dunnock). Udo é absolvido perante o tribunal e Nick, agora solto e tendo formado uma nova família, com Nettie (Gray), que cuidara de suas filhas, encontra-se preocupado com a vingança. Em ação com a polícia, sofre um atentado de Udo, que é morto pela polícia.
Esse drama noir tem como cena de maior impacto, a que Tommy Udo joga a mãe de Rizzo escada abaixo, atipicamente cruel para a produção da época, mesmo em se tratando do gênero, conhecido pelo seu cinismo e visão pessimista da humanidade. Também é atípico ao ser filmado integralmente em locações (pelo menos assim afirma nos créditos iniciais, embora muitos interiores não difiram das reconstituições em estúdio da época), inclusive várias cenas de interiores, característica que só ganhará destaque na cinematografia americana com Elia Kazan e outros cineastas da década seguinte. Porém, o maniqueísmo que certas produções do gênero se afastam ao retratar todos como motivados por desejos semelhantes, acaba sendo empobrecedor, assim como os habituais cacoetes narrativos – assim que Nettie surge, logo saberemos que ela será a futura senhora Bianco – e as irritantes e piegas intervenções de Nettie, como narradora. Ou ainda as não menos piegas e inverossímeis táticas de convencimento do protagonista, apelando para suas filhas, assim como o sincero interesse do policial que, mesmo esbofeteado, continua fiel a Bianco. O filme foi um trampolim para a carreira de Widmark, que se especializaria em viver tipos cínicos. 20th Century-Fox. 98 minutos.

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