Filme do Dia: A Primeira Profecia (2024), Arkasha Stevenson
A Primeira Profecia (The First
Omen, EUA/Itália/Sérvia/Canadá, 2024). Direção Arkasha Stevenson. Rot.
Original Tim Smith, Arkasha Stevenson, Keith Thomas & Ben Jacoby, a partir
dos personagens de David Seltzer. Fotografia Aaron Morton. Música Mark Korven.
Montagem Amy E. Duddlestom & Bob Murawski. Dir. de arte Eve Stewart &
Tiziana Liberotti. Cenografia Maria Luigia Battani. Figurinos Paco Delgado.
Maquiagem e Cabelos Claudia Tozzi & Elisabetta De Leonardis. Com Nell Tiger Free, Ralph Ineson, Sônia
Braga, Tawfeek Barhom, Maria Caballero, Charles Dance, Bill Nighy, Nicole
Sorace, Andrea Arcangeli, Ishtar Currie-Wilson.
Padre
Brennan (Ineson) fala com Padre Harris (Dance) a respeito de uma conspiração no
seio da Igreja. Harris lhe entrega a foto de uma bebê chamada Sciann, morrendo
a seguir diante de Brennan. Em Roma, 1971, em meio as manifestações estudantis,
a noviça Margaret Daino (Free) chega ao orfanato dirigida pela irmã Silva
(Braga), com quem rapidamente entrará em conflito por contra da maltratada
garota Carlita (Sorace), tida como louca. Margaret divide o quarto com Luz
(Caballero), que a chama para uma discoteca, onde se sente irracionalmente
vinculada a um jovem, Paolo (Arcangeli), acordando desmemoriada sobre o que
ocorreu a partir de um determinado momento. Ela flagra o desenho de uma mulher
grávida feita por Carlita sendo mostrado para Irmã Angelica (Currie-Wilson).
Quando Margaret intervém, é beijada na boca por Angelica, que pouco depois se
imola e morre diante de todos no orfanato. Brennan, inicialmente observado com
reticências por Margaret, explica o plano da Igreja de fazer com que o
nascimento do Anticristo traga de volta os fiéis cada vez mais distantes da
instituição e próximos do secularismo. Irmã Silva adia a iniciação de Margaret
na Igreja, por sua proximidade com Carlita. As duas se desentendem. Casualmente
Margaret observa Paolo na rua e o busca. Este não quer falar com ela, mas
afirma que ela observe as marcas, antes de ser barbaramente morto por um
caminhão. Margaret toma consciência das marcas do demônio em seu próprio corpo
e de que fora estuprada na noite da discoteca. Um aborto pretende ser realizado
de seu filho, mas o carro onde se encontram se dirigindo para a intervenção é
abalroado. Ela é levada a um leito do hospital, e saudada pelo Cardeal Lawrence
(Nighy), mentor da conspiração. Ela dá luz a uma menina e um menino, sendo este
considerado o Anticristo. Indignada com a situação, Margaret esfaqueia
Lawrence, mas não tem forças para acabar com o próprio filho. Margaret é ferida
por Luz, outra integrante da conspiração, mas salva, com sua filha, por
Carlita. Morando distante, tempos depois ela recebe uma visita de Brennan, que
a adverte que os conspiradores estão atrás dela, e que o nome de seu filho,
entregue a um diplomata americano cuja esposa perdeu o filho no orfanato,
chama-se Damien.
O final,
ao que tudo indica, acena para uma tardia antecipação de eventos retratados em A
Profecia (1976), de Richard Donner – a foto do diplomata a quem o filho foi
entregue surge, e é a de Gregory Peck. E o fato do enredo se passar antes do
descrito no filme de Donner, possibilita uma ambientação na Roma dos idos dos
anos 70, como motivação atmosférica que renderia ainda mais, se fosse melhor
trabalhada, apesar de certo requinte na produção visual e de um trabalho de
mediano a satisfatório de um elenco de coadjuvantes de peso, incluindo Nighy e
Braga, ao menos quando se leva em conta as produções ainda mais tipicamente
rotineiras do gênero contemporâneas. Ao mesmo tempo que o filme possui uma
visão pouco simpática das hostes reacionárias da Igreja, que não abdicam de
invocar satã para recuperar sua influência, utiliza um dos locais mundanos mais
tipicamente hedonistas, a discoteca, como local e agentes da inseminação
demoníaca forçada. E algo similar poderia ser arguido em relação aos revoltosos
indignados com as instituições na onda pós-68. Dando azo, em última instância,
a uma visão de mundo nada distante dos pretensos vilões do filme. Pior que esta
indefinição, aliás uma característica do cinema estadunidense ao longo do
tempo, é se antever que o melhor, como via de regra acontece na maior parte
destas produções, ficou para trás quando se ingressa de vez na senda
sobrenatural, e nos afastamos da descrição de um pioneiro do gênero, O Bebê de Rosemary, para se observar uma garra satânica a emergir do ventre da
escolhida na hora do parto ou se preparar para o atropelamento esperado de
Paul, a falar com ela em meio a uma via pública – com o pequeno diferencial
grotesco dela ainda continuar abraçada ao busto dele, sem perceber que o mesmo
se encontra separado do restante do corpo. |Phantom Four Films/TSG
Ent./Cattleya/Kiwii/Serbia Film Comission/The Government of Canada Income Tax
Credit Program para 20th Century Studios. 119 minutos.

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