Filme do Dia: A Última Porta (1945), Leopold Lindtberg
A Última Porta (Die Letzte Chance, Suiça, 1945). Direção: Leopold Lindtberg. Rot. Original: Alberto
Barberis, Leopold Lindtberg, Elizabeth Montagu & Richard Schweizer. Fotografia:
Emil Berna. Música: Robert Blum. Montagem: Hermann Haller. Dir. de arte: Robert
Furrer. Figurinos:
Robert Gamma. Com: Ewart G. Morrison, John Hoy, Ray Reagan, Luisa Rossi,
Giuseppe Galeati, Romano Calò, Leopold Biberti, Sigfrit Steiner, Therese
Giehse.
Um sargento
americano, Braddock e o tenente britânico John Halliday (Hoy) conseguem fugir
de um trem de prisioneiros quando ocorre uma pane nesse na Itália. Tentando
fugir por lago para a Suíça, são advertidos por uma garota italiana, Tonina
(Rossi) que ocorreu o armistício e a guerra é finda. Os dois retornam à terra
firme, porém quando chegam ao povoado, ficam sabendo que a festa havia cedido
lugar ao medo, pois há uma resistência italiana e Mussolini consegue fugir da
prisão. Refugiam-se em uma igreja e são acolhidos
por um benemérito padre (Calò). Junta-se a eles não somente um outro oficial
britânico, o Major Telford (Morrison), quanto todo um grupo de refugiados
judeus. Com a iminente chegada de tropas alemãs, o grupo parte para se esconder
nas colinas. Quando retornam somente as mulheres permaneceram vivas no vilarejo
e o guia, peça fundamental para leva-los à fronteira suíça, também foi morto.
Após divergirem entre si, os oficiais aceitam levar o grupo de refugiados, que
inclui homens idosos e crianças, na arriscada tentativa de tudo ou nada de
conseguirem chegar à fronteira.
Sua relativa
crueza e detalhe com que aborda a via
crucis da dupla principal e sua situação de mais sofrerem que propriamente
comandarem seus desígnios em tempos de guerra certamente o aproxima muito mais
do neorrealismo italiano – assim como sua fotografia desbotada próxima do
documentário, atores amadores, filmagens em locações e utilização das línguas
(inglês, italiano, alemão e francês) dos envolvidos – que do cinema
anglo-saxão, e particularmente hollywoodiano de guerra. A figura do pároco e
sua bonomia não se encontra muito distante da personificada por personagem
similar do contemporâneo Roma: Cidade
Aberta; e embora relativamente contido em suas prédicas moral-ideológicas, a figura da senhora
italiana que desesperada perde o marido (numa cena menos dramática que a vivenciada no filme de Rossellini, até mesmo
porque ainda não havíamos tido qualquer contato com a personagem) serve, em
dois momentos, para justificar arroubos humanitários por parte de um dos
personagens. Aliás é da visada
privilegiada de um trem, tal como um arremedo do cinema, que o inglês e seu
colega americano observam o drama dessa italiana separada do marido, enviado
para os campos de concentração. Pode-se sentir, juntamente com os personagens,
a agonia da chegada iminente das forças alemãs ao povoado italiano
predominantemente simpático à resistência. Irregular, o filme por vez derrapa em
algo bem aquém de seu tom médio, como é o caso da travessia para a Suíça em
meio a nevasca, parecendo uma produção B dirigida por Monte Hellman para
Corman. Hoy, Reagan e Morrison revivem, de certa forma, momentos próximos de
sua própria trajetória de vida, já que foram oficiais que buscaram se refugiar
na Suíca. Com exceção de Morrison, que surge como coadjuvante em Perdidos na Tormenta (1948), de
Zinnemann, nenhum teria outra participação como ator de um filme. Essa versão é
aparentemente vinte minutos mais breve que a original. Praesens Film. 93
minutos.

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