Filme do Dia: O Mundo Petrificado (1959), Jerry Warren
O Mundo Petrificado (The Incredible
Petrified World, EUA, 1959). Direção Jerry Warren. Rot. Original John W.
Steiner. Fotografia Victor Fisher. Música: Josef Zimanich. Montagem Harold V.
McKenzie & James Sweeney. Dir. de arte Marvin Herbert. Com John Carradine,
Robert Clark, Phyllis Coates, Allen Windsor, Sheila Noonan, George Skaff,
Maurice Bernard, Joe Maierhauser.
Em busca de investigar um objeto não
identificado pela ciência, um grupo de quatro pessoas decide vivenciar a
experiência de descer em profundezas nunca antes conhecidas pelo ser humano. A
experiência, comandada pelo prof. Millard (Carradine) é interrompida quando o
bólido no qual desciam perde o contato com o barco. Os quatro, dados como
mortos pela equipe do navio, conseguem sobreviver após uma expedição pelas
cercanias, que os faz descobrir um incrível mundo petrificado de cavernas,
preservado das águas e com oxigênio o suficiente para sobreviverem, algo que um
homem herdeiro de uma experiência anterior, aliás, faz já há doze anos.
Depois de mais de quatro minutos de
explicações científicas de uma voz over em nada distinta de boa parte dos
documentários sobre a natureza cada vez mais populares à época com as produções
da Disney e com Costeau e seu O Mundo Silencioso, lançado três anos
antes, sobre imagens submarinas (a única verdadeiramente impactante aqui
apresenta uma luta entre um polvo e um tubarão), alguém desavisado poderia até
se confundir caso não houvesse visto os créditos iniciais, de se tratar de mais
um deles. E Warren, um raro diretor-produtor à época, utiliza-se de uma série
de informações verdadeiras para inserir em meio a elas o germe de sua ficção,
referindo a uma mancha de milhares de quilômetros sobre a qual os cientistas
ainda se debatem em hipóteses. A transição para o “ universo ficcional”, embora
longe de incomum desde ao menos Cidadão Kane, é a de se tratar de fato
(na ficção, lógico) de um documentário assistido pelas personagens. E não menos
curioso é que tendo como base para suas fantasias o universo acima (espaço) e
abaixo de nós (subaquático), por conta da grande dose de mistério a circundá-los,
sobretudo entre os leigos, que boa parte das produções relativas ao segundo, e
não foram poucas, sejam bem menos lembradas que as do primeiro, mais
tipicamente associadas ao gênero. E quando se afirma o segundo subgênero, não
necessariamente de filmes que diretamente lidem com o mundo subaquático como
este, sendo a versão mais conhecida de 20.000 Léguas Submarinas lançado
meia década antes, mas também cujas
criaturas são provenientes deste local ainda grandemente “misterioso” (O
Monstro da Lagoa Negra, O Monstro de Pedras Brancas). Para além do
clima que mais parece uma brincadeira de se estar numa situação de risco de
vida, sendo que todos permanecem com suas vestimentas impolutas e conseguem manter
o prumo até mesmo quando encontram um veio de água potável, ao contrário dos
personagens do Anjo Exterminador de Buñuel; as feministas adorarão a
frase dita por Dale a Lauri, que não há nada a ser dito, nunca houve, nem nunca
haverá de uma mulher para outra. E ainda arrematar posteriormente, ela a mais
madura das duas, como possessa de ciúme pelo mesmo Craig. Talvez a sequência
mais bizarra de todas seja a da fabricação do artefato salvador da equipe
submersa, interminável em seus efeitos ópticos a simularem ondas ao som de sua
trilha sonora, mesmo havendo outras fortes candidatas. Uma delas é a que o
equivalente a monstro, a viver há 12 anos nas cavernas, virando inclusive uma
espécie de típico homem das cavernas, resolve abordar uma das mulheres,
justamente a inescrupulosa, e ouvimos os gritos de terror que não poderiam
faltar, mas toda a ação é interrompida pela fúria em outra escala, de um
vulcão. Ou seja, o fogo do indivíduo parece ser a faísca para um de maiores
proporções. O vulcão que propicia a vida deles, através do ar que traz da
superfície, também pode significar a morte, embora com bastante seletividade. O
final feliz é coletivo, sem culpabilizar a antipática Dale com a morte,
sobrando esta apenas para o homem das cavernas, justamente aquele já mais
habituado com o ambiente. E é celebrado com um pedido de uísque por um dos
membros da equipe outra vez reunida. E
com direito a uma conciliação prévia entre Dale e Lauri. Poder-se-ia imaginar um Carradine
envergonhado em fazer parte de tal tipo de produção, tendo trabalhado em
obras-chaves de John Ford, mas na década de 1950 se percebe uma mescla de
participação em produções (e mega-produções) dos grandes estúdios como A
Volta ao Mundo em 80 Dias e Os Dez Mandamentos em meio a produções
marcadamente B como esta, A Torre dos Monstros ou O Monstro da Era
Atômica. E se é verdade que na segunda metade da década sua participação em
séries de TV suplantou o número de filmes, está também em O Último Hurra,
de Ford, em meio aos seus incomuns mais de 350 créditos ao longo da carreira.
Já Warren parece ter sido um dos poucos realizadores a ter sobrevivido ao ciclo
intenso de produções similares no momento que este foi lançado, chegando a
lançar um filme nos idos da década de 80, A Ilha de Frankenstein. |GBM
Prod. para Governor Films. 67 minutos.![]()
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