Filme do Dia: Igreja São Nicolau (1995), Frank Beyer

 


Igreja São Nicolau (Nikolaikirche, Alemanha/França Áustria, 1995). Direção: Frank Beyer. Rot. Adaptado: Frank Beyer & Eberhard Görner, baseado no romance de Erich Loest. Fotografia: Thomas Plenert. Música:  W. Killmayer. Com: Barbara Auer, Ulrich Mattes, Daniel Minetti, Annemone Haase, Günter Naumann, Ulrich Mühe, Otto Sander, Peter Sodann, Jutta Wachowiak.

Em Leipzig, 1988, um movimento de resistência ao regime ditatorial da Alemanha Oriental começa a agrupar-se em torno da Igreja São Nicolau, onde o padre Albert (Mühe) se destaca como liderança. Uma família particularmente vive essa divisão ideológica por que passa o país em suas próprias entranhas, os Bacher. Tendo o pai falecido sido um líder na ditadura, seu filho Alexander, mais conhecido como Sascha (Matthes), segue no mesmo rumo, como um funcionário modelo  do serviço de espionagem, apoiado pela mãe. Já sua irmã Astrid (Auer), o marido e a filha acompanham todos os movimentos de contestação ao regime. Como resultado, Astrid acaba demitida após uma temporada em uma clínica psiquiátrica, onde conhece Gabrielle Heit (Wachowiak), que teve um colapso nervoso depois de ter um filho morto por um tanque soviético. Astrid e a família apoiam a causa de Heit e participam da noite em que o regime virá abaixo sob o peso da multidão que toma conta das ruas de Leipzig.

Beyer, nesse filme produzido para a TV, utiliza-se de um estilo didático e acadêmico para sua narrativa, que apoia-se em efeitos dos filmes de gênero, sobretudo do suspense, recurso que já era utilizado em um de seus filmes mais conhecidos para o cinema, de décadas antes, Nu entre Lobos (1962). Igualmente como em seu filme anterior, sua mescla de história e cacoetes de gênero, guiada por princípios humanistas que conseguem definir sem maiores dificuldades os lados certo e errado da história soa interessante, porém pouco criativa e um tanto quanto esquemática. As cenas de impacto emocional de multidões, já utilizadas em um momento mais breve no filme anterior, ganham bem mais destaque nessa produção que tem o anti-clímax final, quando não chega a ocorrer o confronto entre as forças do Estado e os revoltosos, já que eles estavam preparados para um conflito armado e não “para velas e orações”. Provobis Gesellschaft für Film und Fernsehen/WDR/arte/ORF. 138 minutos.

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