Filme do Dia: O Mundo do Silêncio e da Escuridão (1971), Werner Herzog
O Mundo do Silêncio e da Escuridão (Land des Schweigens und der Dunkelheit,
Al. Ocidental, 1971). Direção e Rot. Original: Werner Herzog. Fotografia: Jörg
Schmidt-Reitwen. Montagem: Beate Mainka-Jellinghaus.
Nesse tocante documentário, talvez o
melhor dentre os filmes de Herzog, e certamente bem menos conhecido que suas
obras ficcionais referenciais, o cineasta apresenta, de forma mais explícita e
sem rodeios, um dos seus “personagens” “maiores que a vida”, tal qual muitos
dos ficcionais (Aguirre e Kaspar
Hauser, para ficar em apenas dois exemplos). E os sofrimentos e lacunas
impostos a tais personagens, sejam ficcionais ou documentais, acaba por
torna-los representações improváveis da própria vida e sensibilidade humanas.
No caso em questão aqui, acompanha-se a trajetória de Fini Straubinger, uma
velha senhora que perdeu sua visão e audição quando adolescente, agora uma
liderança em sua cruzada por melhores condições de vida e comunicação para
pessoas como ela ou com deficiências outras, de ordem neurológica. Dois
momentos são bem marcantes. O que Fini e uma amiga também surda levantam voo a
primeira vez (ao som da Abertura n. 03 em
D Maior, BWV 1068). E o que ela evoca suas memórias de quando perdeu a
visão e posteriormente audição, onde seu depoimento direto para a câmera, num
raro momento de utilização de tal recurso, é intercalado com fotografias da sua
juventude. O filme a todo momento parece perquirir a possibilidade de
compartilhar qualquer possibilidade de expressão outra daqueles que não possuem
os meios usuais de faze-la – boa parte dos comentários do narrador, de tom de
voz semelhante ao do realizador, vão nesse sentido. Referat für
Filmgeschichte/Werner Herzog Filmproduktion. 85 minutos.

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