Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#163: Raoni

 


RAONI (Brasil/França/Bélgica, 1978). Com Raoni sendo nomeado ao Oscar de Melhor Documentário - Longa Metragem em 1979, o mundo foi introduzido à difícil situação dos índios amazônicos diante do desmatamento da floresta tropical. Embora em grande parte uma produção franco-belga, dirigida por Jean-Pierre Dutrilleux e narrada em sua versão em inglês - com o subtítulo The Fight for the Amazon - por Marlon Brando, ao diretor de fotografia brasileiro Luiz Carlos Saldanha foi dado o crédito de co-direção; Raoni também venceu o prêmio de Melhor Filme Brasileiro, e três outros prêmios, incluindo fotografia e música no Festival de Cinema de Gramado, em 1979. Raoni foi um filme estilisticamente divisor de águas igualmente. A música de Egberto Gismonti e a fotografia em tela ampla de Saldanha se combinaram em apresentar um cenário belo e idílico para o personagem central, Raoni do povo Megkrenoti, às margens do Rio Xingu. Longas passagens observacionais, descrevendo o "modo de vida indígena" são contrapostas com as estatísticas sobre a dizimação da população nativa e sequencias descrevendo a resistência e solidariedade crescentes com outras tribos da bacia do Xingu como os Iavalapitis, os Kreén-Akaóres, os Suyás e os Jurunas.

Reagir é claramente uma das mensagens do filme, e a determinado ponto uma discussão é documentada se os realizadores deveriam ou não ser mortos - sendo decidido que poderiam ajudar em sua luta. Presumidamente encenada para a câmera, a sequência sugere que os povos amazônicos se encontram agressivamente determinados sobre seu futuro. De fato, Raoni é raro exemplo de um filme que obteve um efeito político. Em 1989 Raoni, Dutrilleux e outros participaram de uma turnê mundial e iniciaram a Fundação da Floresta Tropical. Raoni também iniciou um legado de povos indígenas brasileiros empregarem mídias visuais não somente para documentarem suas próprias formas de vida tradicionais, mas também para se comunicarem com povos vizinhos e se engajarem juntos no esforço. Ainda que uma série de realizadores e antropólogos estrangeiros tenham se preocupado eles mesmos com a luta da Amazônia - Adrian Cowell, Michael Beckam e Geoffrey O'Connor no Reino Unido, e Terence Turner e Laura Graham, nos Estados Unidos tenha feito obras importantes - talvez tenha sido Vincent Carelli, através do trabalho do Centro Indigenista de São Paulo (CTI), que melhor tenha continuado com este espírito. ver também CINEMA ETNOGRÁFICO. 

Texto: Rist, Peter H. Historical Dictonary of South American Film. Plymouth: Rowman & Littlefield, 2014, pp. 473-74.


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