Filme do Dia: O Fantasma do Farol (1935), Michael Powell
OFantasma
do Farol (The Phantom Light, Reino Unido, 1935). Direção Michael Powell.
Rot. Adaptado Ralph Smart, Joseph Jefferson Farjeon & Austin Melford, a
partir da peça de Evadne Price & Joan Roy Byford. Fotografia Roy Kellino.
Música Charles Williams. Montagem Derek N. Twist. Dir. de arte Alex Vetchinsky.
Com Binnie Hale, Gordon Harker, Donald Calthrop, Milton Rosmer, Ian Hunter,
Herbert Lomas, Reginald Tate, Barry O’Neill, Mickey Brantford, Alice O’Day.
Higgins (Harker) é o novo faroleiro que chega a um
vilarejo de Gales, onde reza a lenda ser o farol um local assombrado. Alice Bright (Hale),
tenta sem sucesso viajar para o farol com ele. Jim Pearce (Hunter), tenta
igualmente sem sucesso convencer Higgins a leva-lo para a ilha. Alice tenta o mesmo
com Jim, e tampouco é bem sucedida.
Quando Higgins chega na ilha, traz consigo um médico, que examina Tom Evans
(Tate), que ao buscar estrangula-lo é considerado em situação de risco de
viajar de volta com o médico, sendo amordaçado. Também faz parte do grupo, um
tio de Tom, Owen (Lomas). Jim chega em
um bote, no qual também vem incógnita Alice. Higgins recebe com desconfiança a
dupla. Ao escutar uma conversa entre Sam e Alice, Higgins descobre Sam não ser
um repórter. E que ele se encontra em missão de uma companhia de seguros, que
pretende desbaratar um plano de afundar um navio para receber o seguro de alto
valor da embarcação. E Alice se apresenta como da Scotland Yard. Jim começa a
transmitir um alerta para o navio, mas é interrompido por Tom e seus
comparsas. Posteriormente, ele consegue
descer do farol e nadar até o continente, avisando a guarda costeira. Higgins
consegue se soltar a tempo de fazer o farol voltar a funcionar, e salvar a
embarcação da catástrofe, enquanto Owen pula do alto do farol.
Powell antes de Pressburger. É um dos diversos quota
quickies realizados para suprir meio burocraticamente com a legislação que
demandava uma participação de cota na tela para produções britânicas. E desde o
início se apresenta atento aos detalhes das relações entre as personagens. Como
é o caso do olhar sobranceiro de desconfiança do funcionário dos Correios para
a garota que o aborda, já tocando na sua roupa no primeiro contato e
pronunciando seu nome equivocadamente, para ser prontamente corrigida. Que o
título não nos deixe enganar. Não se trata de mais uma produção a se somar ao
imaginário associado a atmosfera sinista e solitariamente sombria em torno de
um farol. Fosse o Powell de tempos depois certamente teria abraçado algum
projeto mais próximo do tipo. infelizmente não. Lida-se com uma trama de
espionagem longe de empolgante. Onde o farol é observado muito mais próximo de
um elemento realista-verossímil e
trampolim para as mancomunações que em sua carga simbólica. O pitoresco também
vem a ser utilizado, com galeses que não falam inglês e um arcadismo que teria
como contraponto não visto, a metrópole, Londres, etc. Mas, ainda assim, para
os parâmetros da época é uma apropriação do “exótico” local com mais
propriedade que faria um Hitchcock que, por sua vez, desenvolveria o interesse
maior do filme, a espionagem, provavelmente de forma mais envolvente do que
aqui apresentada. Os planos aceleradamente breves do retorno do farol em
funcionamento são um elemento evocativo das vanguardas, que posteriormente será
utilizado com mais densidade em boa parte dos filmes da dupla, ou apenas como
um dado chamativo como aqui –é o caso de Aventuras de Pimpinela Escarlate.
É referido ao início do documentário Made in England: The Films of Powell and Pressburger, como o primeiro filme do cineasta digno de atenção. A má
qualidade desta cópia em relação as cenas apresentadas no documentário
certamente em nada ajudam na apreciação do mesmo. Se quem está no eixo do bem e
do mal se descobre somente a partir de determinado momento, a compressão
espacial – com boa parte da história transcorrendo no farol e não mais que em
um dia – deve ter sido facilitadora na sua origem teatral. |Gainsborough
Pictures para Gaumont British Dist. 72 minutos.![]()

Comentários
Postar um comentário