Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#148: Suriname
SURINAME. (República do Suriname). Antigamente colônia britânica, depois holandesa, o Suriname se tornou independente da Holanda em 1975. Margeado pela Guiana ao oeste, pela Guiana Francesa ao leste, pelo Brasil ao sul e pelo Oceano Atlântico ao norte, o Suriname tem uma população atualmente de apenas um pouco mais de 500 mil habitantes, e é o menor estado autônomo na América do Sul. Como as vizinhas Guianas, a maior parte da população vive na região costeira norte (que inclui a capital, Paramaribo), e o país igualmente não possui uma verdadeira história do cinema, ainda que um proeminente diretor nascido no Suriname, Pim de la Parra, tenha escrito e dirigido mais de vinte e cinco longas desde 1965 (*).
Habitado por variadas populações indigenas, incluindo o grupo de fala arawak nomeado "surinen", a área foi visitada por exploradores franceses, espanhois e holandeses no século XVI e foi estabelecida (em Marshall's Creek) pelos ingleses, que chamaram o território de Suriname. Em 1667, ao término da segunda guerra anglo-holandesa, a colônia latifundiária foi dada aos holandeses. Alguns escravos africanos que foram importados para trabalhar nas plantações de café, açúcar e coco ao longo dos rios escaparam, e os recém-formados clãs de "maroons" impuseram tratados de paz em meados do século XVIII. Após a abolição da escravidão, em 1863, servos contratados foram trazidos da Indonésia, Índia, China e Oriente Médio, e consequentemente a corrente população do Suriname se encontra dentre as mais etnicamente diversas do mundo. Após a independência houve um golpe militar socialista em 1980; a democracia foi restaurada em 1987, apesar de uma guerra civil entre o exército e grupos de maroons ter durado até 1992. A economia do Suriname é dominada pelo minério de bauxita (minério do alumínio), embora as reservas de ouro e petróleo estejam agora sendo exploradas.
Cinejornais holandeses foram filmados no Suriname durante o período colonial, e em 1962 um longa ficcional hollywoodiano, The Spiral Road [Labirinto de Paixões], estrelado por Rock Hudson, dirigido por Robert Mulligan, e baseado em um livro de Jan de Hartog, foi filmado em e nos arredores de Paramaribo. Após realizar uma série de curtas e longas na Holanda e na Alemanha, Pim de la Parra realizou o primeiro longa do Suriname, em 1976, Wan Pipel (One People), sobre a relação entre um estudante negro retornando ao seu país e uma enfermeira de ascendência indiana. De la Parra realizou uma série de filmes de sexo explícito na Holanda e não retornou ao Suriname senão em 1996, onde ajudou a estabelecer a Academia de Cinema do Suriname, e dirigiu seu primeiro longa Het Geheim van de Saramacca Rivier (The Secret of the Saramacca River) em 2007. Dentre os realizadores surinameses estão John Slagveer (Gespannen Borsten, 1995); Ruby Pocomi, que dirigiu o primeiro filme infantil do Suriname, Sjommie (2003); e a dupla Louis Vismale/Romeo Starke, que realizou diversos filmes, incluindo seu primeiro longa, Verkeerd (Wrong, 2003).
Talvez o melhor longa ficcional realizado no Suriname foi o dirigido pelo fotógrafo baseado em Chicago, curador e videomaker e realizador de filmes experimentais Ben Russell. Let Each One Go Where He May (2009), segue a jornada de dois irmãos afro-surinameses não identificados, que se tornam maroons quando tentaram escapar da escravidão. Notavelmente filmado em 16 mm com um equipamento Steadicam, o filme de 135 minutos contém apenas 13 planos-sequencias. Let Each One Go Where He May venceu o prêmio FIPRESCI no Festival de Roterdã em 2010, após ter sido exibido no Festival de Toronto. Em 2012, o nascido em Benin, de língua holandesa, Didier Chabi, dirigiu um longa de ficção digital no Suriname, Lost in Hustle que, como One People, foi parcialmente filmado na língua local Sranan.
Texto: Rist, Peter H. Historical Dictionary of South American Film. Plymouth: Rowman & Littlefield, 2014, pp. 545-46.
(*) N. do E: falecido em 2024.

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