Filme do Dia: Lance Maior (1968), Sylvio Back

 


Lance Maior (Brasil, 1968). Direção: Sylvio Back. Rot. Original: Sylvio Back, sob o argumento de Nélson Padrella & Oscar Milton Volpini. Fotografia: Hélio Silva. Música: Carlos Castilho. Montagem: Maria Guadalupe. Dir. de arte: Luiz Hilário. Figurinos: Ilana Kwasinski. Com: Reginaldo Farias, Regina Duarte, Irene Stefânia, Isabel Ribeiro, Lourdes Bergmann, Sérgio Bianchi, Doralice Bittencourt, Maria Dora Carvalho, Joel de Oliveira, Lúcio Weber.

Mário (Farias) é um jovem de baixa classe média que se divide entre a vendedora suburbana Neuza (Stefânia) e a ricaça estudante universitária Cristina (Duarte), não conseguindo um emprego nem levar para diante sua relação com as moças, recorrendo eventualmente a prostitutas.

Back faz seu filme de “desencanto”, como boa parte dos realizadores do Cinema Novo contemporâneos (O Desafio, Terra em Transe, São Paulo S/A, etc.), ainda que sem a mesma verve estilística ou precisão ideológica dos mesmos. Como nesses filmes, trata-se de um jovem rapaz desiludido com a falta de expectativas futuras, ainda que aqui sem qualquer menção direta ao momento político tenso vivido no país. Pelo contrário, aqui o personagem parece se limitar a uma crise existencial de cunho pessoal, sendo que a ausência de transformação ou tomada de decisão com relação a sua própria vida, espelhado na própria ausência de eventos de maior dramaticidade, sugere antes uma influëncia de Antonioni. Há muito de tosco nesse filme de estréia de Back, assim como uma pretensão de modernidade, esboçada com engenho na ambigüidade da voz off dos personagens (pensamentos? diálogos ocorridos em outro momento?), que acaba na maior parte das vezes não sendo mais que uma pretensão, no sentido que o resultado concreto soa por demais pífio, o filme se contaminando pelas limitações e vazio provinciano do universo que retrata.|Paraná Filmes/Prod. Cinematográfica Apolo. 90 minutos.

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