Filme do Dia: Alguém Morreu em Meu Lugar (1964), Paul Henreid
Alguém Morreu em
Meu Lugar (Dead Ringer, 1964, EUA).
Direção: Paul Henreid. Rot. adaptado: Albert Beich & Oscar Millard, a
partir do conto de Rian James. Fotografia: Ernest Haller. Música: André Previn.
Montagem: Folmar Blangsted. Dir. de arte: Perry Ferguson. Cenografia:
William Stevens. Figurinos: Donfeld. Com : Bette Davis, Karl Malden, Peter
Lawford, Philip Carey, Jean Hagen, George Macready, Estelle Winwood, George
Chandler, Cyril Delevanti, Monika Henreid.
Edith
“Edie” Phillips (Davis), dona de um pequeno clube, do qual não consegue mais
sequer extrair os aluguéis do local, decide matar sua rica irmã gêmea, Margaret
DeLorca (Davis), à sangue-frio e incorporar a personalidade da falecida, assim
como seus bens. Porém, incorporar Margaret significa atropelos desde os
aposentos da casa até a presença de um policial, o Sargento Jim Hobbson
(Malden), apaixonado por Edie e o vigarista Tony Collins (Lawford), amante da
irmã.
Cria-se
uma empatia oblíqua com a assassina da própria irmã, talvez sendo essa a maior
das perversões construídas por essa produção, ao qual fica-se angustiado como
Edith pela quantidade de obstáculos, que se imagina crescente tal como nos
jogos de videogame, terá que lidar em sua ousada farsa de representar sua
própria irmã gêmea. Aliás, o filme parte de um reconhecido interesse sensacionalista-mórbido
por gêmeas idênticas e com personalidades polares (tão diversos quanto Espelho d’Alma, Gêmeas, Gêmeos – Mórbida Semelhança), apenas
para por em cheque tais premissas. Torna-se evidente, como quase sempre em
filmes de trama tão mirabolante, que ocorre uma relação proporcionalmente
inversa entre os golpes de efeito da trama e a densidade psicológica de seus
personagens. Seria impensável a existência dessa
produção sem o anterior O Que Terá Acontecido à Baby Jane?, de dois anos antes, e com a mesma Davis. Aqui, ao
invés da lida com uma psicoticamente nada amistosa outra atriz como irmã, Davis
é duplicada, e não se escusa em se despir – dentro das regras permitidas de
decoro à época – diante da câmera. Se a bela fotografia, também é evocativa
daquele, é porque foi realizada pelo mesmo Haller, mestre na arte do p&b,
mas também com filmes bastante significativos em cores (...E o Vento Levou, Juventude Transviada) e um afinco em fotografar estrelas como Davis ou Joan Crawford
– por sinal, as duas juntas em O Que
Terá Acontecido à Baby Jane? As personagens vulgares parecem ter se colado
à figura de Hagen, ao menos em boa parte de seus papéis de maior destaque como
aqui, seu último trabalho para o cinema, Cantando na Chuva e A Grande Chantagem.
Estelle Winwood está primorosa como a beata amiga de Margaret, embora sua
presença não possua qualquer relevância à narrativa para além do verossímil –
Margaret possuía um ciclo de amizades. O conto de James já havia sido levado às
telas pelo cinema mexicano com Irmãs
Malditas (1946), de Roberto Gavaldón. Henreid talvez seja mais lembrado
como ator (Casablanca, dentre
vários). Destaque para seu irônico final e o mordaz comentário de Edie sobre si
própria. Warner Bros. 116 minutos.

Comentários
Postar um comentário