Filme do Dia: O Sereno Desespero (1973), Luiz Carlos Lacerda
O Sereno Desespero (Brasil, 1973).
Direção Luiz Carlos Lacerda. Rot. Adaptado Walmir Ayala & Luiz Carlos
Barreto, a partir dos poemas de Cecília Meireles. Fotografia Rogério Noel.
Montagem Ana Maria Magalhães. Com Arduíno Colassanti, Eliane de Itatinga,
Rosana da Vinha, Tarcísio José, José Kléber, José Arthur Machado, Vera Manhães.
Narrado por Isabel Ribeiro. E a voz
de Ribeiro ecoa, lendo a posia de Meireles, enquanto observamos um “índio” cenográfico,
evidentemente tão distante da realidade e idealizado quanto aquele lido na
poesia. Além de fabricado pela produção deste curta. A nudez do mesmo deve ter
sido influenciada pelo Como Era Gostoso o Meu Francês, sendo Lacerda
várias vezes assistente de Nélson Pereira. Já se aproximando do final, após a
exibição do corpo malemolente do jovem (prenúncio do Menino do Rio de
Caetano) surfista (motivo visual reutilizado por Lacerda no bem posterior A
Morte de Narciso) é que um poema de Meireles provocará maior ressonância, e
é sobre uma prostituta. A Xica da Silva
do Cancioneiro da Independência está mais para a Gabriela de Sônia Braga
que para a negritude de Zezé Motta no filme homônimo de Diegues, lançado três
anos após. Poesia futuramente musicada por Fagner também está presente “Eu
canto porque o instante existe/e a minha vida está completa/não sou alegre nem
sou triste/sou poeta. Encerra com o poema que dá azo ao belo título do curta,
mais instigante – e Lacerda, via de regra, consegue bons títulos para seus
filmes – que o projeto em si próprio. Dedicado ao fotógrafo Noel, falecido aos
22 anos. Paraíso Films Lmtd. para INC. 11 minutos e 27 segundos.![]()

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