Filme do Dia: A Lagoa Azul (1949), Frank Lauder

 


A Lagoa Azul (The Blue Lagoon, Reino Unido, 1949). Direção Frank Lauder. Rot. Adaptado John Baines, Michael Hogan & Frank Launder. Fotografia Geoffrey Unsworth. Música Clifton Parker. Montagem Thelma Connell. Dir. de arte Edward Carrick. Figurinos Elizabeth Hennings. Com Jean Simmons, Donald Houston, Susan Stranks, Peter Rudolph Jones, Noel Purcell, James Hayter, Cyril Cusack, Maurice Denham.

Os garotos Michael (Jones) e Emmeline (Stranks) são salvos do naufrágio do barco no qual viajavam na Inglaterra vitoriana, pelo tripulante Paddy (Purcell), e passam a vagar na canoa pelo oceano até descobrirem uma ilha deserta. Lá tentam sobreviver, embora Paddy, embriagado, venha a cair de um penhasco alto no mar. As crianças, acordando assustadas com o grito, encontram o cadáver pouco depois. E crescem na ilha, tornando-se adultos (Simmons e Houston), tendo que se deparar com gananciosos comerciantes de pérolas, Murdoch (Hayter) e Carter (Cusack) que por lá sorrateiramente aportam, eventualmente descobrindo o amor, e o produto dele, uma criança. Emmeline, no entanto, possui sonhos de ver seu filho crescendo em outras condições de vida. E o trio embarca em uma arriscada viagem pelo oceano, a partir da embarcação construída por Michael.

Há uma contextualização do momento vivenciado antes do naufrágio no barco com um pouco menos de pressa para se chegar aos corpos desnudos que é o afã principal da versão anos 80 dessa história – recuperando, nesse sentido, boa parte da verve original do romance, publicado em 1908. Poderia ser o sinal de algo dramaticamente mais consistente, e qualquer coisa o seria em relação ao filme dirigido por Randal Kleiser. Portanto, não se trata exatamente de um elogio. As cores de sua fotografia devem ter sido pensadas, ainda então em minoria em relação à produção total dos estúdios dos dois lados do Atlântico – e sobretudo de um estúdio pequeno como esse - para ressaltar o universo paradisíaco em que a história transcorreria. Porém, se a criação atmosférica do barco, mesmo que visivelmente montado em cenários, consegue ser superior a da produção posterior, a ilha não. E as cores de sua fotografia se embotaram ao ponto quase de um meio termo entre o preto&branco e o sépia em alguns momentos. E evidentemente não se conta com o luxo de alguém como  Nestor Almendros no quesito. Outra questão é da assexualidade do casal que possui um reverso radical – e motivo maior – da versão posterior. E o corpo masculino ganha proeminência aqui sobre o feminino, a maior parte do tempo observado em um modelo de tanga a la Tarzan, apenas um pouco mais pudico e estilizado que o vestido por Christopher Atkins em sua verve mais surfista adolescente. E se poderia pairar alguma saudável dúvida se apenas o momento em que Michael percebe a morte iminente de Emmeline é que haveria o despertar da sexualidade em ambos – que por um viés distinto, psicanalítico, faria todo sentido, como já havia demonstrado o vanguardista O Cão Andaluz – após anos de vida em comum, essa se desvanece após o surgimento logo após de um bebê. Sim, outro diferencial é que os personagens são encarnados por atores adultos. Na metade final, ganha certo fôlego de ares de seriado de aventura. Mesmo para quem não for versado em sotaques, há uma britanicidade difícil de objetivar nessa película. Talvez reste dizer que não havia nada parecido, mesmo nos filmes B americanos da época, o que será confirmado ao se resgatar sua ficha técnica. Aparentemente existiria uma versão 13 minutos mais longa. |Indvidual Pictures para GFD. 88 minutos.

 

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