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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Filme do Dia: Vive-se uma Só Vez (1937), Fritz Lang



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Vive-se uma Só Vez (You Only Live Once, EUA, 1937). Direção: Fritz Lang. Rot. Original: Gene Towne & C. Graham Baker. Fotografia: Leon Shamroy. Música: Alfred Newman. Montage: Daniel Mandell. Dir. de arte: Alexander Toluboff. Figurinos: Helen Taylor. Com: Sylvia Sidney, Henry Fonda, Barton MacLane, Jean Dixon, William Gargaes, Jerome Cowan, Charles “Chic” Sale, Margaret Hamilton.

Joan (Sidney) apaixonada pelo criminoso Eddie Taylor, anseia pelo momento no qual sairá da prisão. Esse tenta um emprego honesto, mas seu empregador o demite. Enquanto discute com o patrão, um grupo se envolve em uma ação espetacular de assalto a carros fortes que morrem  seis pessoas e deixam o chapéu de Taylor no local para incriminá-lo. Eddie volta a se encontrar com Joan e essa lhe aconselha fortemente a se entregar e falar a verdade, confiando na justiça, mas é condenado. Logo a seguir, ele vem a ser capturado pela polícia, e condenado a pena de morte. No dia de sua execução, ele consegue se ferir e ser levado a uma enfermaria, onde se encontra escondido um revólver. Com o revólver ele transforma um médico (Cowan), como refém-escudo para sair da penitenciária. Uma informação chega sobre a descoberta do verdadeiro autor do assalto ao carro forte não ter sido Taylor durante a negociação para sua saída. Descrente quanto a veracidade da informação Taylor reage e mata o Padre Dolan (Gargaes) e se torna, juntamente com Joan, em foragidos.

Talvez poucos realizadores da era de ouro do sistema de estúdios hollywoodiano tenham sido tão aplicados em sua recorrência a um tema – associado indefectivelmente a questão sobre criminalidade e castigo, e complexificado pelos matizes ironicamente que sempre acompanham os mesmos – quanto Lang, mesmo trabalhando com outros gêneros e abordagens, como de praxe então. De fato esse é um tema que já o perseguia de antes mesmo de sua chegada aos Estados Unidos (M), continuando antes (Fúria, com a mesma Sidney) e depois (No Silêncio de uma Cidade) desse aqui. Evidentemente, por mais localizadas que tais tramas sejam no âmbito criminal, respingam para possibilidades de leituras mais amplas, como a do embate entre indivíduo e a forma como percebe a si mesmo e a sua construção tal como elaborada pela sociedade, sobretudo via meios de comunicação de massa (se no caso de Fúria, o cinema surge como testemunho de uma ação coletiva de linchamento contra esse indivíduo, aqui a imprensa apenas reproduz o linchamento moral ao qual se encontra reduzido Taylor e em filmes posteriores, como No Silêncio de uma Cidade, a televisão entra em cena como mediadora interessada e obstinadamente enviesada nessa relação). Chama a atenção, sobretudo aos olhos de várias e várias décadas após seu lançamento, o quão Taylor rapidamente passa do ressentimento à figura de vilão que já é creditada a ele por antecipação – ao menos no que diz respeito aos eventos cobertos pelo filme. Situação que culmina no assassinato de Padre Dolan. E o quanto a figura culpada e sem restrições de Joan se torna quase monocórdica em sua aceitação ampla e irrestrita de tudo que for praticada por Taylor, chegando mesmo ao patético esboço de uma reação mínima de susto ao replicar sobre a notícia da morte de Dolan. A cena em que o casal é vítima de tiros disparados por uma metralhadora é digna antecipadora, guardadas as proporções, de Bonnie & Clyde (1967). Walter Wanger Prod. para United Artists. 86 minutos.

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