CONTRA O GOLPE CIVIL EM CURSO E A FAVOR DA DEMOCRACIA

sábado, 12 de agosto de 2017

Filme do Dia: Os Piores Anos da Minha Vida (1940), Mario Mattoli



Resultado de imagem

Os Piores Anos da Minha Vida (Non Me Lo Dire! (Itália, 1940). Direção: Mario Mattoli. Rot. Original: Marcello Marchesi & Mario Mattoli a partir do argumento de Vittorio Metz & Steno. Fotografia: Aldo Tonti. Música: Giovanni Fusco. Montagem: Mario Serandrei. Dir. de arte: Piero Filippone & Mario Rappini. Figurinos: Mario Rappini. Com: Erminio Macario, Vanda Osiris, Silvana Jachino, Enzo Biliotti, Tino Scotti, Gugliemo Barnabò, Nino Pavese, Luigi Erminio D’Olivo.

Michele Colombelli (Macario) é um visconde em apuros, perseguido pelos credores, após ter dilapidado sua gigantesca fortuna com uma vida dissoluta, e atrás de uma mulher para casar. Os credores se unem, armando um plano que lhes fará passar toda a fortuna de Michele para eles, desde que o consigam mata-lo.

Estruturado a partir da lógica humorística do desenho animado, assim como da comédia muda, com resultado bem aquém do que a maior parte do que foi produzido por ambos. Como nos outros filmes de Macario, que aparecia nos créditos muitas vezes somente como Macario, tudo gira em torno de sua persona humorística, algo infantilizada, algo efeminada, algo galanteadora e bastante atrapalhada. Durante um longo período de sua primeira metade o filme é não mais que uma sucessão de gags dos erros cometidos pelos que pretendem ver Macario morto, a partir de clichês bastante próximos do universo da animação – como o candelabro que cai sobre o piano, mas não sobre o pianista ou a dinamite travestida de fogo de artifício que acaba parando justamente sobre quem a confeccionou. Há uma evidente obsessão pelos Estados Unidos, associado ao que há de moderno por uma elite  caricaturada. Nada muito diferenciado do que a chanchada produziria no Brasil. Aqui, no entanto, por motivos mais que evidentes, as relações entre as classes sociais, não chegam a ser exploradas, ainda quando tema para superficiais galhofas como em seus equivalentes brasileiros. Emula-se Chaplin, Harold Lloyd – na cena em que Macario pouco falta para cair do balcão de sua mansão – e a comédia pastelão, mas sempre com a aparente consciência de ser uma emulação algo menor; algo simbolicamente demarcado na altura que envolve a cena de Macario em comparação com os arranha-céus de Lloyd. Mattoli também dirigiu outros veículos para Macario, como o mais bem concebido Imputato Alzatevi! (1939) e produções mais pretensiosas como I 3 Aquilotti (1942). Aqui, destituído da mesma verve anárquica com relação as instituições sociais do primeiro e sem o bom acabamento do segundo, resta apenas as constantes referências de Macario diretamente para a câmera, brincando igualmente com elementos da linguagem cinematográfica, ao se referir às sobreposições que o apresentam em diversas situações, inclusive em seu forçado final feliz – numa cena em que seu casamento feliz parece ser contradito pela imagem de sua mulher e sogra correndo atrás dele, ele ordena que os personagens mudem de comportamento e sigam o que o narrador afirma. Ou ainda “puxando” a passagem de um plano para o seguinte. Interessante, mas muito pouco, inclusive tendo em vista ter sido uma estratégia que começava a ser explorada por animadores de ponta da indústria norte-americana, como Tex Avery.Capitani Film para ENIC. 75 minutos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário