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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

The Film Handbook#139: Chen Kaige

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Chen Kaige
Nascimento: 12/08/1952, Beijing, China
Carreira (como diretor): 1984-

Talvez o mais conhecido membro da Quinta Geração de graduados da Academia de Cinema de Beijing em 1982, Chen Kaige parece provavelmente se tornar um realizador desafiador e inovador de reconhecimento internacional. Mesmo trabalhando em um país conhecido por seu conservadorismo estético, econômico e ideológico, e numa indústria cinematográfica dividida pela dissidência, ele até agora conseguiu realizar filmes profundamente pessoais de grande relevância moral e política.

Durante a Revolução Cultural, Chen (filho do diretor veterano Chen Huai'ai) passou três anos trabalhando, como muitos de sua idade, numa remota região rural da China. Finalmente, em 1975, após uma temporada no Exército, ele retornou a Beijing para trabalhar em um laboratório de cinema, e em 1978 foi aceito para o curso de direção na recém reaberta Academia de Cinema. Após a formatura serviu por dois anos como assistente de Huang Jianzhong antes de realizar sua estreia com Terra Amarela>1. Ambientado em 1939 na topograficamente dramática e culturalmente atrasada província de Shaanxi, o filme mapeia o breve encontro entre um soldado comunista que coleta canções folclóricas e uma família de aldeões aprisionados às longevas tradições feudais e à pobreza. O que distingue o filme de Chen, para além de sua trama obliqua e metafórica e a fotografia de paisagens impressionante de Zhang Yimou, grandemente estática, é sua compreensão do abismo entre os aldeões e o forasteiro, assim como a dificuldade, mesmo impossibilidade de efetivar mudanças políticas e sociais. Portanto tanto esteticamente (em termos de sua poética e ambiguidade) quanto ideologicamente, Chen também reconheceu o hiato entre a história "oficial", tal como propagada por realizadores chineses mais velhos, e sua menos idealizada narrativa de choque cultural.

Também realizado com Yimou para os estúdios Guangxi, The Big Parade/Da Yue Bing>2, diz respeito ao treinamento de cadetes militares para a Parada do Dia da Pátria. Novamente, Chen se distancia da propaganda ufana da maior parte dos filmes militares chineses que focam no sacrifício pessoal envolvido na obediência a uma disciplina militar (e, por extensão, da própria China), novamente seus métodos sendo criativos e originais. Visualmente, o conformismo militar foi transmitido através de imagens estáticas e formalistas como massa homogênea, enquanto as emoções mais privadas foram evocadas por planos móveis mais abstratos da vida nos quartéis; auditivamente também, frequentes voz overs testemunham as variadas dúvidas interiores dos soldados a respeito do custo e do valor da unidade nacional. De fato, o desejo por independência e liberdade de pensamento é central à obra de Chen, tanto em termos temáticos quanto de seu estilo intransigente. Em O Rei das Crianças/Hai zi Wang>3, realizado para o estúdio de cinema Xi'an, o conto de um jovem exilado pela Revolução Cultural para Yunnan e escolhido (a despeito de sua parca educação) a ensinar uma classe de crianças camponesas semi-letradas acostumadas a aprender através de simples memorização, torna-se um retrato tranquilo mas apaixonado do desenvolvimento da consciência individual em uma terra assolada pela pobreza econômica, cultural e social. O professor, naturalmente, é por fim despedido por negligenciar o currículo oficial. Porém o reconhecimento por Chen da busca de seu país de se revitalizar através de mudanças que ainda eram permitidas para as tradições espirituais da China pré-comunista, é manifesto de forma gloriosa nos planos finais e oníricos de uma floresta em chamas, sendo a madeira morta destruída para libertar uma paisagem antiga e bela.

Ao lado de outros jovens realizadores, Chen é fundamental na criação de um novo cinema chinês revigorante artística e politicamente, bastante distante dos simplistas agit-props, melodramas e escapismo das artes marciais. Embora continuamente correndo o risco de ser marginalizado, ou mesmo proibido de trabalhar, por pressões burocráticas e da censura, ele já demonstrou a si próprio ser um realizador de grande imaginação, inteligência, coragem e influência.

Cronologia
Talvez influenciado pelo mais velho Wu Tianming, Kaige pode ser comparado com seus colegas da "Quinta Geração": Zhang Yimou, Zhang Zeming, Wu Ziniu e Tian Zhuanzhuang. Esses homens podem ser vistos como se colocando em oposição a figuras mais tradicionais como Xie Jin, e tendo eles próprios influenciado realizadores da "Quarta Geração" como Huan Jianzhong, Zhang Nuanxin e Yan Xueshu. É também digno de nota, de passagem, os progressos do Novo Cinema Taiwanês, talvez melhor representado por Hou Xiaoxian e Edward Yang.

Destaques
1. Terra Amarela, China, 1984 c/Xue Bai, Wang Xueqi, Liu Qiang, Tan Tuo

2. The Big Parade, China, 1986 c/Wang Xueqi, Sun Chun, Lu Lei, Wu Ruofu

3. O Rei das Crianças, China, 1987, com Xie Yuan, Yang Xuewen, Chen Shaohua

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 52-3.

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