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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Filme do Dia: Inconscientes (2004), Joaquín Oristrell


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Inconscientes (Espanha/Alemanha/Itália/Portugal, 2004). Direção: Joaquín Oristrell. Rot. Original: Oristrell, Dominique Harari & Teresa Pelegri. Fotografia: Jaume Peracaula. Música: Sérgio Moure. Montagem: Miguel Ángel Santamaría. Dir. de arte: Llorenc Miguel. Com: Leonor Watling, Luis Tosar, Alex Brendemühl, Mercedes Sampietro, Núria Prims, Ana Rayo, Juanjo Puigcorbé, Marieta Orozco.

Barcelona, 1913. Alma (Watling) procura a ajuda do cunhado Salvador (Tosar) para encontrar o marido psicanalista desaparecido, Leon (Brendemühl), no momento em que seu pai, Dr. Mira (Puigcorbé) pretende transformá-lo na figura de maior poder de seu hospital.

Talvez o maior mérito dessa farsa repleta de referências psicanalíticas em suas intrigas envolvendo incesto, perversão, travestismo, histeria, hipnose e com sketches denominados tais como itens de um manual de psicanálise como “inveja do pênis” ou “histeria”, seja a sua arregimentação de uma narrativa investigativa ao estilo de Sherlock Holmes e um arsenal de efeitos tipicamente melodramáticos como as descobertas inesperadas de parentesco ou preferência sexual através de códigos de valores mais próximos dos atuais que dos melodramas   realizados a época em que transcorre a ação, como os de Griffith, ainda tão recauchutados até os dias de hoje.  Nesse sentido, a habitual modorrência dos hábitos e costumes que acompanham as tramas de investigação se transformam em algo mais picante e sexualizado. Para a construção de sua estrutura abertamente farsesca ainda se adicionam cacoetes estilísticos que fazem menção aos filmes da época, como a moldura que ornamenta a composição do quadro ao início das sequências, a abertura e o fechamento em íris, etc. O resultado final, mesmo que longe de arrebatador, consegue a difícil realização de um humor saturado de indisposições para com as relações sociais convencionadas como normais pela sociedade sem cair no moralismo fácil do politicamente correto, já que eminentemente subliminar como na própria  figura que mais se aproximaria do olhar do cineasta, Alma, que não vai além de breves comentários irônicos e moralmente distanciados sobre a sucessão histérica de eventos que acaba ocorrendo na sua vida e de seu círculo mais próximo.Tornasol Films S.A/Messidor Films S.L/Madragoa Filmes/EMC Assets. 108 minutos.

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