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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Filme do Dia: A Mosca da Cabeça Branca (1958), Kurt Neumann

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A Mosca da Cabeça Branca (The Fly, EUA, 1958). Direção: Kurt Neumann. Rot. Adaptado: James Clavell, baseado no conto de George Langelaan. Fotografia: Karl Struss. Música: Paul Sawtell. Montagem: Merrill G. White. Dir. de arte: Theobold Holsopple & Lyle R. Wheeler. Cenografia: Elli Benneche& Walter M. Scott. Figurinos: Adele Balkan. Com: David Hedison, Patricia Owens, Vincent Price, Herbert Marshall, Kathleen Freeman, Betty Lou Gerson, Charles Herbert, Eugene Borden.
Helene Delambre (Owens) conta ao inspector Charas (Marshall) e ao cunhado François  (Price), o motivo de ter assassinado o marido, tendo a morte provocado um impacto imenso em François, pois sabia se tratar de um casal feliz. O marido de Helene, o devotado cientista Andre (Hedison), encontrava-se completamente obcecado por suas experiências de teletransporte de matéria física, mesmo tendo numa de suas experiências perdido o gato de estimação da família. Ele, no entanto, envolve-se numa experiência em que usa a si próprio como cobaia, porém uma mosca também se encontrava presente no compartimento, provocando uma mutação em seu corpo e no do inseto. Com a cabeça coberta, Andre tenta que Helene capture uma mosca da cabeça branca, idêntica a que se encontrava presente no momento do teletransporte. Desesperada, Helene, que já vira a pata de mosca, que havia se transformado num dos braços do marido, faz com que o filho Philippe (Herbert) e a criada (Freeman) também se engajem na busca. Com a piora dos sintomas, Andre não vê outra saída que provocar sua própria morte, através de uma prensa, guiada por Helene. O Inspetor não acredita na sua história e pensa que Helene surtou. Quando a polícia já se encontra na casa para interná-la em um manicômio, Philippe descobre uma mosca com cabeça humana no jardim, que é instintivamente morta por Charas. Como solução, eles afirmam que Andre se suicidou.

Poder-se-ia até imaginar que esse filme de Neumann, conhecido por dirigir produções similares de orçamento bem mais modesto, elevou a categoria de um gênero “menor” como a ficção-científica, década e meia antes que Hollywood se recuperasse economicamente apostando justamente numa revitalização dos mesmos (Tubarão, Guerra nas Estrelas). Porém, não se trata exatamente do caso. De fato, é uma produção em cores e Cinemascope, requintes praticamente impensáveis para o gênero até então, porém o elenco e os diálogos continuam tão canhestros quantos seus exemplares menos luxuosos. Destaque, nesse sentido, para os esgares de terror e os gritos histéricos lançados por Owens, prototípica personagem feminina do período. Ou ainda para frases como a que François lança ao inspetor logo após ele matar o estranho inseto: “Você cometeu um assassinato, da mesma forma que Helene o fez. Matou uma mosca com cabeça humana, enquanto ela matou um humano com cabeça de mosca.” Ainda assim, o filme consegue envolver do início ao final, algo que transcende o momento histórico no qual foi produzido, apresentando alguns momentos marcantes como a reprodução de um plano subjetivo do olhar de mosca de Andre, observando o desespero da mulher. Há algo de kafkiano nessa proximidade entre o espaço doméstico e a normalidade da vida cotidiana e a completa aberração que consegue se impor a detalhes como a inverossímil destruição do laboratório e todos os gritos de Helene não serem ouvidos pelos outros moradores da casa. E ainda ao fato de todos os personagens terem nomes franceses, falarem algumas expressões na língua, mas viverem num ambiente tipicamente de uma cidadela norte-americana, elemento que o torna inclusive mais interessante. Também existem traços de um fantástico assemelhado ao de Conan Doyle e da literatura gótica,  ainda mais impregnados no conto original. Desnecessário dizer que o final feliz, sugerindo que François irá assumir a vaga do irmão como pai/marido dedicado, e talvez inclusive mais equilibrado, foi uma imposição bem pouco crível do estúdio, em oposição ao conto, originalmente publicado na revista Playboy, no ano anterior. O conto ganharia uma nova versão em 1986, dirigida por David Cronemberg, assim como geraria duas seqüências menos inspiradas ao filme de Neumann em 1959 e 1965 respectivamente. 20th Century Film Corp. 94 minutos.

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