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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Filme do Dia: Close-Up (1990), Abbas Kiarostami

Close-Up (Nema-ye Nazdik, Irã, 1990). Direção e Rot. Original: Abbas Kiarostami. Fotografia: Ali Reza Zarrindast. Montagem: Abbas Kiarostami. Com: Ali Sabzian, Mehrdad Ahankhah, Mahrokh Ahankhah, Abolfazl Ahankhah, Mohsen Makhmalbaf, Hooshang Shamaei, Hossain Farazmand, Haj Ali Reza Ahmadi.
           A denúncia de que um homem, Ali Sabzian (Sabzian) faz-se passar pelo cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf faz com que um repórter, acompanhado por dois policiais, o levem preso da casa de uma rica família de Teerã, os Ahankhah. Perante o juiz (Ahmadi), no entanto, Sabzian desfaz as intenções de roubo e apenas afirma que fazia-se passar pelo cineasta por que amava o cinema, assim como o respeito que as pessoas lhe devotavam quando afirmava ser Makhmalbaf. Após ser perdoado pela família Ahankhah, Sabzian encontra-se com o verdadeiro Makhalbaf, indo até a residência dos Ahankhah pedir-lhes desculpas.
Esse filme de Kiarostami leva a sua habitual mescla entre fantasia e realidade ao extremo, no sentido de que a maioria dos envolvidos – inclusive o pivô do ocorrido – no caso representam ou reencenam o que de fato ocorreu. Utilizando-se de seu repertório estilístico habitual – longas seqüências que aproximam-se do tempo real, como o diálogo entre o jornalista e o taxista no prólogo; longos planos acompanhando motivos de menor importância, como o cano chutado pelo taxista descendo a ladeira – Kiarostami constrói uma tocante narrativa, em que muitas vezes não sabe-se ao ao certo o que vem a ser encenado ou não: será o emotivo encontro final entre Sabzian e o verdadeiro Makhmalbaf uma encenação ou realidade? O título advém do fato das seqüências no tribunal, que compõem a maior parte do filme – e que, embora aparentem serem encenadas,  são documentais - utilizarem-se de planos fechados, para melhor captar a emoção dos envolvidos, sobretudo do réu. As sequências do tribunal são intercaladas por flashbacks que reconstituem eventos que são expostos perante o juiz. A voz de Kiarostami aparece em vários momentos, ponderando sobre o que virá ou não a ser destacado no filme. Ao apresentar as sutilezas entre a arte e a realidade como poucos, o filme certamente exerceu forte influência sobre A Maçã de Samira Makhmalbaf, que também acompanha um caso jornalístico e documenta cenas de tribunal. Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Jovens. 100 minutos.


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