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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Filme do Dia: Misère au Borinage (1933), Joris Ivens & Henri Storck



Misère au Borinage (Bélgica, 1933). Direção: Joris Ivens & Henri Storck. Rot. Original: Joris Ivens, Henri Storck, André Thirifays & Pierre Vermeylen. Fotografia: Joris Ivens & Henri Storck. Montagem: Helen van Dogen.

Esse documentário curto irremediavelmente suscita comparações com o mais célebre contemporâneo dirigido por Buñuel, Las Hurdes. Porém, ao contrário daquele, que também apresenta imagens chocantes da miséria na Espanha, apresenta um estilo bastante distinto, com composições relativamente rebuscadas e bela fotografia. A presença da imagem fotográfica, enquanto registro, parece pairar ao longo do filme e não apenas na foto fixa presente a determinado momento. E, mais importante em sua diferença com o filme de Buñuel, o filme é marcadamente político, apresentando um quadro que ultrapassa em muito as pobres famílias de uma comunidade mineira que aborda, mas vinculando-as a própria racionalidade capitalista, que faz acumular milhares de toneladas de hulha e derramar leite por conta da baixa dos preços, enquanto os mineiros passam fome e frio além de submeterem a péssimas condições de trabalho que provocaram mais de duas centenas de mortos em 1932. Provavelmente realizado com poucos recursos, fazendo uso de cartelas e destituído de banda sonora, o filme a determinado momento mais parece uma reconstituição de alguns dos eventos que apresenta, tal a segurança com que filma os mesmos como o conflito entre policiais e mineiros. À referência explícita ao marxismo surge em determinado momento no qual uma manifestação dos mineiros é capitaneada por um homem segurando um retrato de Marx. É impossível tampouco não pensar numa provável influência de Eisenstein no corte breve e mesmo ocasionalmente seco. Por outro lado, a adversidade apresentada na labuta diária de mineiros e suas esposas de rostos sulcados, assim como as carências vivenciadas por suas extensas proles pode sugerir uma aproximação com Flaherty;  porém nada mais distante, no sentido de que aqui não existe qualquer romantização ou evocação de uma luta do homem contra a natureza – a luta do homem aqui é contra o próprio homem que o explora de forma demasiado voraz. Destaque para a recorrência de panorâmicas descritivas. 36 minutos.


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