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terça-feira, 13 de maio de 2014

Bolhas de Sabão, provavelmente 1733/34

Jean-Siméon Chardin foi celebrado por seus contemporâneos por suas naturezas vivas pintadas com traços grossos de tinta e grande atenção aos detalhes. Nessa composição um rapaz posicionado à janela ainda sopra uma bolha de sabão. Tanto ele quanto o menino próximo a ele estão completamente absorvidos na diversão; entretanto, para um observador do século XVIII, as bolhas de sabão não eram somente uma forma de entretenimento, mas também símbolos da transitoriedade da vida. O tema era popular nas gravuras holandesas que foram grandemente disseminadas pela França, e Chardin realizou ao menos três e provavelmente quatro versões dessa pintura. A monumentalidade de sua figura aqui dá uma torção no tema da vanitas: a sugestão de que o rapaz é ocioso e está desperdiçando seu tempo.

Apesar de Chardin proporcionar a ilusão de ter capturado os garotos em um momento desprevenido, ele construiu rigorosamente sua composição. Os dois rapazes são enquadrados por uma janela de pedra retangular, os retângulos afiados contrabalançados pelo jovem debruçado cujos braços e cabeça formam um triângulo. Essa forma triangular repercute no chapéu do garoto mais jovem. O foco da composição, entretanto, é a bolha translúcida e redonda, que cintila  em oposição às quentes tonalidades acinzentadas da tela.
Texto: National Gallery of Art. Nova York: Thames & Hudson, 2005, pp. 168.

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