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terça-feira, 6 de maio de 2014

Meu Caro Diário, 28/09/2004

ontem tive um dia que mal pisei no chão. Fui no Henri entregar a fita sobre Pelechian que ele havia me emprestado e ele me cobriu de elogios, afirmando que meu trabalho fora o melhor que já lera nos dois anos e meio que se encontra na USP. Como fiquei lisonjeado com tal afirmação. Disse também, melhor de tudo, que me recomendara a ninguém menos que o Ismail Xavier. E também que entregara o texto à montadora de seu filme, que estava por lá no momento que passei para entregar a fita. Desde domingo estou num pique de euforia que tenho até medo que venha notícia ruim essa semana. Desde quando fui caminhar no Parque Villa-Lobos, pensando que ficar em casa seria o mesmo que pedir para que a solidão e a depressão batessem à porta. Curioso, não ter me referido ao passeio no parque no próprio dia. Hoje passei o dia completamente em casa. Acordei super-cedo, me masturbei, tomei um banho,fui ao super-mercado e desde então estou às voltas com esse computador, acabando de confeccionar o trabalho do Ismail, ao mesmo tempo capítulo sobre Mauro da minha tese. Comentei ontem com Firmino às boas novas e mandei duas mensagens para Joceny hoje que, se conheço bem, não as responderá. Tenho só que controlar a ansiedade, pois quando escrevo, parece que todos os sentidos e sentimentos estão presentes e me desligo literalmente do mundo. Quando vou perceber já são quase 5h30 da tarde como agora, com a luz mais bela do dia. Prometi ao Firmino ontem mesmo enviar sua fita com Os Bandeirantes, mas nada como deixar para amanhã o que podia ter sido feito hoje. Ontem também estive no Emílio Ribas, e finalmente o médico o guia para que eu possa fazer o tão badalado exame de taxa do vírus no organismo. Ele disse que há 70% de chances d´eu ter o vírus contra 30% do oposto. Ou seja, ainda há uma esperança de eu não ter essa porqueira. Como bom Carvalho, no entanto, não conto tanto com essa possibilidade. Também me vacinei contra hepatite B, primeira de três ou quatro doses. É curioso que agora há pouco escutando Billie Hollyday tive a impressão de atravessar “Billie Hollyday”, enquanto mera cantora de grande apelo para mim e competente e sentir a própria mulher e o seu sofrimento, de drogada e fodida, quase como o registro inesperado da vida pelas franjas da diegese de um filme narrativo de identidade bem ficcional.

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