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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Filme do Dia: O Fim de São Petersburgo (1927), de Vsevolod Pudovkin

O Fim de São Petersburgo (Konets Sankt-Peterburga, URSS, 1927). Direção: Vsevolod Pudovkin & Mikahil Doller. Rot. Original: Nathan Zarkhi. Fotografia: Anatoli Golovnya. Música: Vladimir Lurovski. Montagem: Aleksandr Dovjenko. Dir. de arte: Sergei Kozlovsky. Com: Vera Baranovskaya, Aleksandr Chistyakov, Viktor Tsoppi, V. Obolensky, Sergei Komarov, Ivan Chuvelyov, Aleksandr Gromov.
Camponês (Tsoppi) vai tentar conseguir trabalho na cidade grande de São Petersburgo, buscando abrigo nos apartamentos onde moram pessoas de sua província, porém chega num momento conturbado em que seu amigo (Chistyakov) lidera o movimento grevista. Determinado a trabalhar de qualquer maneira, o camponês acaba ingenuamente delatando seus conhecidos e ganhando um passe livre para trabalhar na indústria de Lebedev (Obolensky). Porém, quando percebe a decepção da esposa do amigo (Baranovskaya) acaba compreendendo a atitude que fizera e agredindo os diretores da indústria, sendo preso e torturado. Com a I Guerra Mundial deflagrada, o camponês é alistado involuntariamente. Após combater nas trincheiras da guerra, acaba se tornando um guerrilheiro que apoiará a tomada do Palácio de Inverno, e sendo acudido amistosamente pela mulher de seu amigo.
Compõe juntamente com Mãe (1925) e Tempestade sobre a Ásia, uma trilogia de filmes que remete a tomada de consciência de personagens socialmente alienados e se tornou igualmente - sobretudo os dois primeiros - a produção mais reconhecida de Pudovkin. Dito isso, resta salientar que Pudovkin faz uso de uma dramaturgia mais convencional que seu contemporêneo e conterrâneo mais célebre, Eisenstein, procurando maximizar o efeito dramático do conflito político e seu potencial ideológico subseqüente (esse filme, como Outubro de Eisenstein foi expressamente encomendado pelo governo soviético para celebrar os dez anos da Revolução de 1917) através da saga de personagens individualizados. O resultado final acaba soando ainda mais datado, emocionalmente manipulador e melodramático que os filmes de Eisenstein do período, sendo que uma poética das imagens pode apenas ser associada ao seu prólogo, quando apresenta o camponês em seu “habitat natural” com um certo lirismo assemelhado a produção posterior de Dovjenko, que por sinal realizou a montagem dessa produção. É interessante como o personagem do camponês é construído de uma maneira a sua ingenuidade se sobrepor ao individualismo mesquinho, tornando-o logo uma peça importante no pretenso processo de identificação com os valores de um Novo Homem a ser instituído pela recém-criada nação buscado pelo filme. Baronavskaya, célebre atriz do teatro soviético, fora a protagonista de Mãe. Mezhrabpom. 80 minutos.

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