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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Filme do Dia: A Diary for Timothy (1945), de Humphrey Jennings

A Diary for Timothy (Reino Unido, 1945). Direção: Humphrey Jennings. Rot. Original: E.M. Forster. Fotografia: Fred Gamage. Música: Richard Addinsell.
Até mesmo em um gênero tão insípido como o do filme de propaganda os britânicos tentaram aplicar uma coloração humanista mais do que de apenas explícita propaganda. Jennings e sua equipe o fizeram através do recurso de apresentar fatos, dados e expectativas sobre o futuro a partir do prisma de um diário visual para o infante Timothy, nascido em setembro de 1944. A música atenua parcialmente a postura empertigada e pomposa, algo ainda mais ressaltada por se lidar com “atores naturais”, ao contrário do naturalismo que se extraiu de postura semelhante nos filmes neo-realistas contemporâneos. Como a maior parte dos documentários britânicos de guerra se evita o melodrama, embora certos momentos sejam de evidente manipulação emocional, como o do canto natalino sobre a imagem em close do pequeno e inocente bebê, alheio a todas as vitórias e vicissitudes que ocorrem ao seu redor. O fato de se tratar de um filme encenado, mesmo que seja uma elegante e inteligente forma de não apenas trazer informação e reflexão em um modo evidentemente mais próximo do maior apelo do cinema ficcional, por outro lado corrobora para certo tom empostado que Jennings não havia tido que lidar com o mais interessante Listen to Britain. Mesmo que a presença da guerra aqui possa ser sentida  de modo bem mais sólido, e não poderia ser diferente, no sentido de que aqui a situação da Inglaterra na guerra já é bem mais complexa e envolve bem maiores perdas materiais e humanas, nunca se apela para a xenofobia ou mesmo para imagens detratoras do inimigo tais como as presentes na série Why We Fight norte-americana, chegando a narração (efetuada por Michael Redgrave) acentuar mesmo que a peça apresentada no recital da pianista Myra Hess (também presente em Listen to Britain e em documentário com seu nome e igualmente dirigido por Jennings) tenha sido composta por um compositor alemão, Beethoven. Aliás, como no filme, à arte é reservado um destaque especial, também sendo apresentada uma montagem de Hamlet protagonizada por John Guielgud, demonstrando que mesmo em tempos mais sombrios do que os apresentados no documentário anterior, os britânicos não  deixaram de cultuar a arte; e para o inusitado momento no qual o próprio Jennings apresenta para um grupo de crianças cenas de seu documentário English Harvest (1938). A montagem por associação e  a narração que procuram relacionar o drama particular com os eventos sociais mais amplos é relativamente bem resolvida. Finaliza com uma eloqüente (e um tanto pesada) indagação ao bebê e outros bebês se irão seguir o mesmo caminha de ganância material escolhido pela Alemanha que resultou na sua situação de depressão econômica ou escolherão outros valores. Escrito por E.M. Forster. Crown Film Unit. 40 minutos.


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