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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Filme do Dia: "Amalia" (1914), Enrique García Velloso

Amalia (Argentina, 1914). Direção: Enrique García Velloso. Rot. Adaptado: Eugenio Py, a partir do romance de José Mármol. Fotografia: Enrique García Velloso. Com: Susana Larreta y Quintana, Luis García Lawson, Jorge Quintana, Lucía de Bruyn, Jose Miguens, Raquel Aldao, Josefina Acosta, Carlos Morra.
Envolvido com o movimento que se insurge contra o unitarismo autoritário e prega a união da nação, Eduardo Belgrano (Lawson) se apaixona por Amalia (Quintana), que mora na casa onde fica hospedado, convalescendo de uma ação insurgente. Seu melhor amigo é primo de Amalia, Daniel Bello (Quintana) e também apoiador da causa.
Difícil se torna ter acesso a trama somente através do filme e muito pesa contra essa objetivo: a cópia bastante desgastada, os longos planos fixos em que aparentemente nada acontece e não se consegue discernir quem é quem tal a profusão de pessoas enquadradas e a ausência de uma decupagem mais dinâmica. À enorme lista de personagens apresentados ao início, inclusive com a presença de atores brancos interpretando negros, estratégia igualmente utilizada por Griffith no filme que seria o filme equivalente norte-americano de fundação da nação, lançado no mesmo ano, O Nascimento de uma Nação, tampouco auxilia, dada as estratégias referidas utilizadas pelo filme – chega-se a momentos em que apenas se flagra a entrada e saída de uma missa, quase como se o filme por vezes mimetizasse sua aura de registro de situações cotidianas que havia marcado o seu ínicio; por mais que seja uma tentativa de se equivaler as digressões narrativas que compõe sua fonte literária, como o momento da dança dos gaúchos, não funcionam para um filme já por demais pouco claro em sua apresentação narrativa, algo que certamente contava com o fato do espectador da época já conhecer o texto literário. Histórias igualmente fundacionais, seja adaptações literárias de romances consagrados, como as várias versões de O Guarani, no caso brasileiro ou El Húsar de la Muerte (1925), no Chile, são uma tendência forte na produção latino-americana do período. O desfecho abrupto do filme, com todos os conspiradores e seus aliados e próximos se organizando para abandonar por barco o país, após uma derrota sofrida, provavelmente se deve a cópia que sobreviveu se encontrar incompleta, mas não se descarta de todo a possibilidade de assim sê-lo originalmente, dada a precariedade que acompanha toda a produção, de longe menos cinematográfica que Nobleza Gaucha (1916). 54 minutos.


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