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sábado, 25 de janeiro de 2014

O Retorno do Filho Pródigo (1667/70), Bartolomé Esteban Murillo


O grande talento de Murillo para a pintura dramática se torna aparente nessa monumental descrição da parábola familiar do filho pródigo, uma alegoria do arrependimento e do perdão divino. Com intérpretes e elementos de cena estrategicamente localizados para ressaltar o drama, torna-se reminiscente de uma peça de teatro bem encenada.

O artista selecionou os elementos essenciais do clímax da história: o filho penitente sendo bem recebido em casa por seu indulgente pai; as ricas vestimentas e anéis que significam o retorno do filho errante à sua antiga posição na família; e o cevado novilho levado ao abate para o banquete celebratório. Pai e filho, agrupados de forma central, piramidal e excessiva dominam a pintura, enquanto a cor mais destacada é reservada ao criado que traz as novas vestimentas. Murillo pode ter escolhido enfatizar esse aspecto da parábola - simbólico da caridade - por conta da natureza de sua encomenda. O Retorno do Filho Pródigo foi uma das oito monumentais telas pintadas para a Igreja do Hospital de São Jorge, em Sevilha, um hospício para os desabrigados e famintos.

Os modelos de Murillo foram a vida que descortinou ao redor; parte do apelo dessa pintura reside em seus toques humanos - os realistas pés sujos do filho, o cachorrinho de estimação em pé saudando seu dono e talvez, mais que tudo, o sorriso sincero do pequeno garoto de rua que conduz o novilho.

Texto: National Gallery of Art. Nova York: Thames & Hudson, 2005, p. 87.

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