Filme do Dia: Uma Festa para Mickey (1933), Burt Gillett

 



Uma Festa  para Mickey (Mickey’s Gala Premier, EUA, 1933). Direção: Burt Gillett.

Noite de estreia do mais recente curta de Mickey  em Hollywood e a comunidade do cinema comparece em peso ao evento. .

Talvez nenhum outro gênero como a animação curta no período tenha se referido com tanta frequência à própria indústria do cinema, como os diversos exemplos testemunham. As celebridades do cinema são observadas seja por conta de uma marca registrada anatômica (as orelhas de “abano” do galã Gable), seja por sua excêntrica e superior altivez (caso de Greta Garbo), por sua sensualidade transbordante (Mae West) ou ainda por sua “atitude” (no momento em que descreve a chegada de vários casais famosos do cinema descendo da limusine, um deles é O Gordo e o Magro). Talvez nenhum segmento da indústria seja tão bem representado quanto a dos astros cômicos indistintamente entre os mais associados a era muda (Buster Keaton, Harold Lloyd, Chaplin,  os Keystone Cops, com destaque para o inconfundível Mack Swain, e também Ben Turpin e Harry Langdon, observados logo ao início – no que parece ser um flerte com o curta de Swain A Movie Star) e a sonora (Os Irmãos Marx, Jimmy Durante).  Não falta sequer o célebre Will Hays cujo sobrenome servirá como identificação ao Código de Produção instituído em 1930, mas posto em cena, de fato, apenas no ano seguinte a essa produção. Mesmo um tanto engessado pelo fato de retratar pessoas não apenas vivas como no auge do estrelato, o filme somente consegue um respiro no momento em que Pluto, em pleno tapete vermelho, aproxima-se de uma planta com o intuito de urinar e é rapidamente puxado. Com generosas sequencias de um curta que segue todos os padrões do estilo da série de Mickey da época, esse “filme dentro do filme”, no entanto, parece ter sido produzido somente para a animação em questão ou então se serviu de material não utilizado anteriormente. Para completar, quando Mickey recebe a ovação histérica da plateia ao final e também mimos e beijos de ninguém menos que Greta Garbo, descobre-se não se tratar de nada mais que um sonho, com Pluto o lambendo. E, pela quantidade das fotos de astros e estrelas em seu quarto, seu sonho pode ser tido  literalmente como um sonho, já que ele parece representar mais o outro (e bem mais numeroso) lado da moeda: o fã. Foi a última coisa a ser transmitida pela BBC antes de sua interrupção das tranmissões por conta da guerra e a primeira, em 1939 e a primeira quando retornou ao ar, em 1946. Walt Disney Prod. para United Artists. 7 minutos e 23 segundos.

 

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