Dicionário Histórico de Cinema Sul-Americano#175: Juan Alejandro Ramírez



 RAMÍREZ, Juan Alejandro. (Peru, 1958). Emergindo de um período dos primórdios dos anos 90, quando muitos excelentes curtas peruanos foram produzidos, com o apoio do governo, Juan Alejandro Ramírez perdeu estas oportunidades por conta de estar vivendo em Nova York e na Cidade do México mas, de alguma maneira, conseguiu continuar realizando potentes documentários experimentais sobre os problemas de sua terra natal,  viajando continuamente ao Peru. Nasceu em Arequipa e estudou antropologia na Universidade de Lima, antes de viajar aos Estados Unidos para uma pós-graduação com bolsa Fulbright. Viajou para a África, depois vivendo um ano no México, onde estudou antropologia visual.

Ramírez foi ávido fotógrafo, e realizou seu filme de estreia, Hand Made, sobre um artista nova-iorquinho, em 1990. Seu segundo filme, Todo y Nada (1999), foi também seu primeiro com temática peruana, sobre as experiências de imigrantes peruanos na Europa, África e América do Norte. Após vieram Me Dicen Yovo (1995) e Muy Lejos de Aqui (1999), filmes-diários sobre seus dois meses de permanência em Benin, África Ocidental e suas viagens no Peru e Índia, respectivamente, Ramírez realizou seu primeiro filme verdadeiramente relevante, Solo un Cargador (2003), que foi exibido em 70 festivais de cinema ao redor do mundo, incluindo Roterdã, Sundance, Fribourg e New Directors/New Films (Nova York), vencendo em doze deles. Ramírez nunca se refere aos seus filmes estritamente como "documentários", preferindo os termos  filmes "poéticos" e "ensaios". De fato, Solo un Cargador, é uma reconstrução ficcionalizada de alguns homens andinos, indígenas, um cargador sendo quem carrega os suprimentos e bagagens de alpinistas (brancos) montanhas acima; e é notável no que, verdadeiramente dá aos homens sua voz própria e meditatva. Ao contrário da maior parte dos filmes etnográficos e "antropológicos", este volta o objeto do olhar da câmera no verdadeiro tema do filme, como se o carregador fosse o autor do filme. 

Seu filme seguinte, Alguna Tristeza (2006) é ainda mais experimental, um tapete de aparentemente desconexas vinhetas, iniciando com um extraordinário evento nos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936, onde a vitória do time peruano de futebol sobre a grande equipe austríaca (pelo placar de 2 a 1) foi declarado nula! Misturando pessoal, político e histórico, indo do retrato de um motorista de táxi peruano a de três garçons em um trem, passando por um forasteiro alienado que vive na região da floresta amazônica. Alguna Tristeza foi também exibido em inúmeros festivais de cinema e levou prêmios em nove deles, incluindo um prestigiado Cinema du Reél, na França. Seus filmes mais recentes, Diario del Fin (2009), focado em uma peruana, olhando para o seu difícil passado, continua com as análises poéticas dos oprimidos,  mas resilientes cidadãos peruanos. Muitos de seus filmes esticam os limites entre o documentário e a ficção, com suas cenas recriadas, vozes evocativas, montagem criativa e nenhum deles com mais de uma hora de duração. Ainda que se recuse a ser convencional ou comercial, Juan Alejandro Ramírez continua a realizar filmes e exibi-los. Ele agora vive no Senegal, na África Ocidental. 

Texto: Rist, Peter H. Historical Dictionary of South American Film. Plymouth: Rowman & Littlefield, 2014, pp. 472-73.

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